O astronauta brasileiro Marcos Cesar Pontes disse ontem que sua viagem espacial será favorecida com a assinatura de um acordo entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de São Paulo. A parceria é para a fabricação das peças correspondentes à participação nacional no projeto da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).
“Isso logicamente favorece bastante o vôo. Muito, diga-se de passagem. Este vôo deve acontecer no ano que vem”, ressalta Pontes. As duas instituições firmaram uma parceria em que o Senai construirá o protótipo de um conjunto de peças da ISS.
Pontes revela que na semana que vem o presidente da Agência Espacial Russa deve estar no Brasil. A AEB e representantes da Rússia, parceira no consórcio de países construtores da estação, têm mantido conversações para a realização do vôo do brasileiro. Pontes acrescenta que interessa à AEB que a viagem espacial aconteça em 2006, devido à comemoração do centenário do primeiro vôo de Alberto Santos Dumont com o 14bis.
Foi o astronauta quem articulou a presença do Senai no programa espacial. Primeiro pelo aspecto sentimental de ter sido aluno do Senai-Bauru. “É uma organização que sempre me apoiou aqui em São Paulo. O Sesi e o Senai sempre estiveram presentes nos momentos marcantes da minha vida. Agora o Senai também vai estar junto comigo no momento crucial da minha vida que é esse vôo espacial.”
O astronauta destaca ainda a competência da instituição para construir o protótipo. Pontes comenta que a parceria é de grande importância para os estudantes do Senai que vão integrar o programa de construção da estação. O astronauta entende como fundamental para o Brasil o contato com a ciência e tecnologia envolvidas no projeto.
O Brasil participa do programa fornecendo equipamentos de suporte. Em troca, terá espaço na Estação Espacial Internacional para experimentos nacionais.
Protótipo
O convênio firmado entre o Senai e a AEB, assinado anteontem na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é de cooperação técnica para a fabricação e montagem de um protótipo de placa adaptadora.
O equipamento passará pela avaliação técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Posteriormente, o projeto será analisado pela Nasa. Depois da aprovação, a AEB licitará uma empresa brasileira para fabricar 38 peças.
O diretor estadual do Senai-São Paulo, Luis Carlos de Souza Vieira, explica que as peças serão utilizadas na estação espacial e no ônibus espacial.
O astronauta Marcos Cesar Pontes explica que o protótipo deve ser apresentado em quatro meses (120 dias) e os primeiros lotes de peças devem ser entregues nos próximos 18 meses.
Ele esclarece que o protótipo será construído pela escola Senai Suíço-brasileira, unidade localizada no bairro de Santo Amaro, na Capital paulista. O diretor do Senai enfatiza que a instituição está capacitada para tocar o projeto, com recursos humanos e maquinário adequado. Destaca também que técnicos do Senai estarão em contato com o pessoal da Nasa para troca das especificações técnicas.
Vieira valoriza o empenho do astronauta para a escolha do Senai. Assim como Pontes, ele também ressalta a importância dos alunos da instituição estarem participando da pesquisa tecnológica. “Isso vai gerar um ambiente de pesquisa de inovação dentro da escola.”
A construção da Estação Espacial mobiliza 16 países. Integram o projeto os Estados Unidos, Rússia, Japão, Europa e Brasil, único representante da América Latina. Pontes lembra que o convênio recupera a credibilidade do Brasil, que começa a cumprir um compromisso firmado com a comunidade internacional.
O astronauta observa que o País tem falhado desde 1997 em cumprir sua parte no programa de construção da Estação Espacial. “É importante porque é um resgate do nosso prestígio junto a outros países.”
Com o descumprimento, o Brasil quase foi descredenciado do consórcio. Inicialmente, a presença brasileira no projeto previa a fabricação de seis peças diferentes, o custo de US$ 120 milhões num prazo de cinco anos.
Em 2003, o acordo passou por uma revisão que rebaixou a participação do Brasil. No atual acordo está prevista apenas a construção de uma variedade de equipamento, com custo previsto de US$ 8 milhões.