Na Delegacia de Polícia não se tem registros de assassinatos. Na praça da matriz, o relógio está parado no tempo. Algumas pessoas estão sentadas em cadeiras na calçada; outras aproveitam a sombra das árvores do único jardim público para jogar conversa fora. Balbinos (60 quilômetros a noroeste de Bauru) é o segundo menor município do Estado de São Paulo, com 1.300 habitantes.
Lá, a sensação que se tem é de que o dia é longo, portanto, a vida passa mais devagar. “Na cidade grande, a gente corre muito atrás do relógio. Aqui, nãoâ€, conta o lavrador Elias Pereira, 63 anos, há seis morador de Balbinos. Sentado num banco da praça da matriz, Pereira pica o fumo para saborear, em seguida, um cigarro de palha.
“Já morei em cidade grande. Sorocaba e Londrina. Mas gosto mesmo é do sossego daquiâ€, diz, entre uma baforada e outra. Com a experiência que viveu ao residir em centros urbanos maiores, o lavrador confirma que o dia em Balbinos é mais longo. “Mas a gente também vive melhorâ€, conclui.
Mas há discordância. O agente cultural Ailson Carvalho, 29 anos, nascido e criado na cidade, acredita que o tempo de um dia é igual em todos os lugares. â€œÉ lógico que é mais calmo. Mas as horas passam como em qualquer lugar do mundoâ€, opina.
A mesma avaliação tem o estudante Marcelo Rodrigues Ferreira, 16 anos. Ele freqüenta o terceiro colegial numa escola de Pirajuí, distante 16 quilômetros de Balbinos. “A cidade realmente é muito parada. No final de semana, temos que sair daqui para nos divertia. Mas o sossego não quer dizer dia mais longo ou vida vagarosaâ€, observa.
Sentado numa cadeira debaixo de uma boa sombra, o vendedor Joaquim Rodrigues Ferreira, 54 anos, fez da calçada um anexo de sua casa. “Quem não gosta de tranqüilidade?â€, pergunta. Porém, ele está assustado com a penitenciária que está sendo construída na cidade. “O nosso sossego pode estar com os dias contadosâ€, alerta.
A chegada da prisão estadual não assusta a família Lopes. Vivaldo, 60 anos, comerciante, está trocando Bauru por Balbinos. Sua mãe, Ema, e a irmã, Odete, garantem que dormem com as janelas da casa aberta. Eles não trocam a calmaria da cidade pela agitação de municípios maiores. â€œÉ uma questão de gostoâ€, diz Ema.