Um futuro tranqüilo com renda mensal suficiente para garantir uma boa qualidade de vida, sem dependência direta da aposentadoria da Previdência Social. Essa é a meta para o futuro de uma boa parte da população economicamente ativa de Bauru. O projeto já é uma realidade através da sedução dos planos de previdência privada, um setor que cresceu cerca de 40% ao ano na última década.
Segundo dados da Associação Nacional de Previdência Privada (Anapp), as reservas atuais, resultado das aplicações em planos de previdência privada, já ultrapassam a casa dos R$ 50 bilhões. Só em janeiro, as receitas alcançaram R$ 1,7 bilhão, o que representa uma alta de 56% em relação a igual período do ano passado.
Quanto mais cedo se começar a pagar um plano de previdência privada, menos dinheiro o futuro beneficiário terá de desembolsar para usufruir mensalmente das aplicações. Com a visível falência da Previdência Social, os brasileiros com capacidade financeira começam a enxergar nos planos privados a garantia de uma aposentadoria segura.
O contador Jair Vella faz parte desse time. Para garantir um futuro tranqüilo à filha, ela paga um plano que renderá a ela, após 25 anos de recolhimento, uma renda mensal de cerca de R$ 1.000,00.
“De 1998 para cá, as regras da Previdência Social se alteraram muito. Foram no mínimo quatro mudanças no jogo, inclusive com relação à idade. Desse jeito fica difícil confiar no sistema, principalmente porque as pessoas temem prejuízosâ€, avalia.
Na opinião dele, é visível que as empresas que operam previdência privada oferecem muito mais segurança se comparado com o sistema público. “No passado, até havia um certo risco com a quebradeira dos bancos. Mas com a estabilização do setor, investir em previdência privada tornou-se um ótimo negócioâ€, recomenda.
Com um teto de R$ 2.508,72, a Previdência Social deixou de ser atrativa há muitos anos. Milhões de brasileiros deixam compulsoriamente nos cofres do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) parte de seus salários para recebê-los, futuramente, na forma de aposentadoria. O que ocorre é que, na maioria dos casos, o percentual do recolhimento não é revertido de forma real nos valores dos benefícios.
A professora de educação física Silvana Aparecida Garcia Biazon sabe muito bem o que é isso. “Meu pai, que é autônomo, pagou aposentadoria sobre o valor de cinco salários mínimos por mais de 20 anos. Ele já está mexendo nos papéis para se aposentar, mas sabe que não receberá como aposentadoria cinco salários mínimos, que foi o valor que ele recolheu. Isso é injustoâ€, conta.
Para escapar do mesmo destino do pai, Biazon e o marido iniciaram, há dois anos, o pagamento de um plano privado de aposentadoria. Eles investem R$ 268,00 por mês para garantir um futuro melhor. “Inicialmente, nosso plano é adquirir uma casa própria. Mas não descartamos aproveitar o investimento para desfrutar a aposentadoriaâ€, diz.
Para evitar frustrações no futuro, a advogada Lia Clélia Canova decidiu, há oito anos, garantir sua aposentadoria através de um plano privado. “A Previdência Social altera de maneira constante suas regras. Percebe-se uma certa fragilidade no sistema. Aumentou-se a faixa etária, caiu por terra o cálculo sobre os cinco últimos anos de contribuição. A gente sente que o governo tenta alternativas para retirar a previdência do sufoco. Mas é público e notório que ela está totalmente desacreditadaâ€, analisa.
Ela conta, porém, que ainda continua pagando a Previdência Social porque começou a trabalhar muito jovem. “Para não perder o que já foi recolhido nos últimos 22 anos, continuo pagando o carnê.â€
Canova fez um plano privado do qual começará a desfrutar a partir dos 50 anos de idade. A advogada paga mensalmente R$ 530,00. Com isso, deverá receber um benefício calculado em cerca de R$ 1.500,00.
“Não vejo, a curto prazo, alguma melhora na Previdência Social. Há um descaso total em relação ao contribuinte. Existem pessoas que estão esperando na fila há mais de quatro anos para receber o benefício. Isso é absurdoâ€, afirma.