As doenças respiratórias são consideradas tão preocupantes que o Ministério da Saúde (MS) decidiu ampliar a oferta de atendimento para esses casos. Doenças como asma e rinite, para as quais só há tratamento preventivo em unidades especializadas, passarão a ser tratadas nas unidades básicas de saúde. A iniciativa faz parte da Política Nacional de Atenção Integral a Pessoas com Doenças Respiratórias.
De acordo com o MS, a asma afeta entre 10% e 20% da população brasileira. Só no ano passado, 367 mil pessoas foram internadas por conta da doença, o que representou um gasto de R$ 123 milhões no Sistema Único de Saúde (SUS).
Outro problema de saúde pública é a rinite, que atinge entre 10% e 25% dos brasileiros. Especialistas ressaltam que é muito comum uma mesma pessoa sofrer de asma, rinite e bronquite.
A medicina dispõe de tratamento para todas essas doenças. Mesmo assim, todos os anos, cerca de 2 mil pessoas morrem por complicações de asma no Brasil.
Com a nova política, portadores de asma leve e moderada e de rinite poderão ser atendidos nos núcleos de saúde e também terão acesso gratuito aos medicamentos. “Isso vai melhorar muito para a gente”, afirma a dona de casa Tatiane Rodrigues Caetano. Mãe de duas crianças portadoras de bronquite, ela afirma que só essa semana já gastou R$ 30,00 com medicamentos para os filhos. Na última quarta-feira, ela aguardava atendimento no pronto-socorro para os filhos Willian, 2 anos, e Jéssica, 6 anos, que reclamavam de tosse e falta de ar.
“É só mudar o tempo. Eles começam a tossir, têm febre, sentem falta de ar, não dormem. Toda vez que a previsão do tempo avisa que vem uma frente fria eu já penso: chegou a hora de gastar com remédio, porque o posto não dá remédio para bronquite”, lamenta.
Ao ser informada sobre nova política do governo, ela comemora. “Isso vai ajudar muito a gente”, salienta.
“Antes, todo o atendimento era feito nos hospitais e centros de referência. A partir da política, as pessoas poderão ser atendidas em unidades básicas, antes da doença chegar estágios mais graves”, explica a diretora do Departamento Atenção Básica do Ministério da Saúde, Afra Suassuna.
Preparativos
Segundo assessoria de imprensa do governo, a iniciativa será acompanhada da capacitação de profissionais que trabalham nos centros de saúde municipais. Eles serão treinados a partir de um protocolo clínico elaborado pelo ministério, em parceria com universidades e sociedades de pneumologia e tisiologia, pediatria, alergia, imunopatologia e de asmáticos.
A expectativa é que o documento, entitulado “Asma e Rinite - linhas de conduta em atenção básica”, esteja nas unidades de saúde até meados do segundo semestre deste ano. O protocolo apresenta a definição das doenças, informações sobre os melhores métodos de diagnóstico, classificação da gravidade, opções de tratamento, além de bibliografia para um estudo mais aprofundado do tema.
“Além disso, o investimento na nova política prevê a compra de remédios e aumenta a responsabilidade do governo federal na distribuição dos medicamentos. O Ministério da Saúde vai distribuir salbutamol e beclometasona inalatório para portadores de asma leve e moderada e beclometasona spray nasal para portadores de rinite. Os Estados continuarão responsáveis pela aquisição e distribuição dos medicamentos para portadores de asma grave”, informa a Agência Saúde.
O governo federal estima um investimento de R$ 37 milhões este ano para a aplicação da nova política. A intenção é estender as mudanças a todos os municípios do País.
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Principais doenças
• Pneumonia
É infecção aguda que pode atingir os pulmões inteiros ou em partes. Os sintomas são tosse com catarro, dor no peito, febre alta, calafrios, suor e palidez. A melhor prevenção é não fumar, tratar com atenção as doenças respiratórias para que não piorem, evitar ambientes fechados e repousar muito em caso de gripe ou bronquite forte.
• Resfriado
É uma infecção leve das vias aéreas superiores (nariz e garganta). Não existe remédio para curá-lo, mas apenas para amenizar os sintomas, que são coriza, espirros e febre alta. Os resfriados podem ser causados por alergias ou vírus. Evitar o frio e as bebidas geladas, não permanecer em ambientes fechados e não compartilhar talheres ajudam a evitar a infecção.
• Alergia
Ocorre quando o organismo reage com exagero a alguma substância estranha. Os sintomas são parecidos com o resfriado, só que pode ocorrer coceira nos olhos e na pele também. Para prevenir é preciso saber o agente causador da alergia, diagnosticado por um médico especialista, e evitar contato com esse agente.
• Gripe
É uma doença muito contagiosa que ataca as via respiratórias (nariz, garganta e pulmões) e é causada pelo vírus influenza. Não existe remédio para curá-la, mas sim para aliviar seus sintomas. Febre alta, dores musculares e articulares, dores de cabeça e inflamação dos olhos são alguns dos principais sintomas. A melhor prevenção é tomar a vacina todos os anos, pois o vírus é mutante. Também é possível melhorar as defesas do corpo com uma boa alimentação.
• Rinite
É uma inflamação não contagiosa das mucosas do nariz e atinge cerca de 30% da população. Ela quase sempre é causada por alergias ou por reações a fumaça e a outros agentes ambientais. Nariz escorrendo, coceira nos olhos, no nariz e na boca, espirros e, às vezes, um pouco de febre são os principais sintomas. Evitar permanecer em locais fechados e com mofo, não fumar e evitar cheiros fortes são alguns dos cuidados recomendados.
• Bronquite
É uma reação inflamatória dos brônquios que impede que o ar chegue aos pulmões. Assim como outras doenças inflamatórias, o catarro ou a tosse seca com chiado são os principais sintomas, seguidos por dor no peito, fadiga, mal-estar generalizado e febre. Acredita-se que alergias, irritações causadas por fumaça ou fumo e infecções respiratórias ou agentes ambientais como a neblina podem ser os causadores da doença. A prevenção é evitar locais poluídos.
Fonte: Hospital e Maternidade São Camilo