Dia das Mães 2005

O desejo de dar à luz supera limites

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Uma relação mágica

“Desde os 28 anos, eu queria ter um filho. Mas foi aos 36 que engravidei. Como sou deficiente auditiva, tinha medo que a criança tivesse um problema semelhante ao meu, mas, mesmo assim, estava decidida a sentir esse amor verdadeiro. "Além disso", pensava, "hoje em dia tem muitas maneiras de tratar o problema e viver bem com ele". Quando engravidei, fiquei superfeliz, mas um pouco receosa. Tinha medo de contar para os meus pais. No entanto, isso acabou sendo muito tranqüilo. Meu pai até chorou de felicidade. Também temia que meu filho não me entendesse, por causa da minha deficiência. Hoje, o Yan tem 2 anos e 5 meses e é a melhor coisa da minha vida. Não sei explicar como, mas ele entende o que eu falo (Karla consegue pronunciar as palavras e lê os lábios das pessoas muito bem). Ele me avisa se a campainha está tocando, se tem alguém me chamando, se o telefone está tocando... Moro com meus pais. Na época que o meu filho era bebezinho, minha mãe me ajudava, colocando-o para arrotar, me avisava quando ele estava chorando de madrugada. A babá dele, a Elaine, ajuda muito também. Ela é bastante calma e brinca bastante com ele, conversa, leva para passear. Ele a adora! Ser mãe é uma coisa linda, gostosa, emocionante, de grande responsabilidade. Eu amo demais o Yan. Ele é a melhor coisa que aconteceu na minha vida.”

Karla Quialheiro Abreu, 36 anos, auxiliar administrativo.

Desejo realizado

“Eu sempre quis ter um filho. Mas, ainda muito nova, descobri que tinha um problema na hipófise que poderia me deixar infértil. E, aí, parece que o sonho de ser mãe ficou mais latente ainda. Tive um primeiro casamento que não deu certo e eu fui adiando o sonho. Depois, quando conheci meu atual marido, senti que seria necessário primeiro dar uma base na relação. Enquanto não chegava o momento de realizar meu desejo materno, fiz duas faculdades e me estabeleci na minha profissão. Quando me decidi que era hora de engravidar, a gente ficou tentando durante uns seis meses e eu não conseguia. Uma amiga minha marcou uma consulta com um médico especialista em gestação de risco. Fui nele, fiz um tratamento com hormônios por um tempo e larguei mão. Foi aí que engravidei. Agora, tomo remédio para segurar o nenê. Estou com dois meses de gestação e curtindo o meu sonho.”

Maria Lúcia de Azevedo, educadora.

Dois presentes

“Em abril de 2003, recebi um diagnóstico terrível, que mudou a minha vida. Descobri que estava com câncer na mama direita e que ia ter de retirar o seio inteiro. Foi um susto enorme. Eu só tinha 26 anos e o fato de estar com essa doença me deixou maluca, sem saber que rumo tomar. Comecei a fazer tratamento, com sessões quinzenais de quimioterapia. Nessa época, convivi com o medo, a angústia e o desespero, mas sempre tive uma força muito grande me empurrando para a vida. Fiz a cirurgia e tive alta sete meses antes do previsto, pois já estava curada. Vinte dias depois de fazer a última sessão de quimioterapia, descobri que estava grávida. No início, fiquei com medo de procurar um médico, pois sabia que ele iria me indicar um aborto. Eu queria ser mãe a qualquer custo. Já estava grávida de 11 semanas quando fui à ginecologista. No primeiro ultra-som, a surpresa: não era um bebê, mas dois! Fiquei radiante, afinal, depois de tantas quimioterapias, que podem deixar uma mulher estéril, eu consegui realizar o meu sonho de ser mãe. E duplamente! Tive uma gestação tranqüila e as minhas meninas nasceram no dia 22 de julho do ano passado. Elas se chamam Letícia e Larissa, são cheias de saúde e muito espertas. Me sinto realizada como mãe.”

Ester Parreira, 28 anos, jornalista.

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