Foram anos de luta e muitos sutiãs queimados em praça pública para conquistar a igualdade com o sexo masculino. Hoje, as mulheres se destacam no mercado de trabalho, comandam equipes gigantescas, ganham prêmios e, em muitos casos, garantem o sustento da casa. Mas uma coisa continua igual: o instinto materno.
O desejo de ser mãe se torna ainda mais latente com o avanço da idade. Perto dos 30 anos, o relógio biológico desperta e fica difícil controlar a vontade de engravidar. O problema é como conciliar filho, trabalho, casa e marido. O dilema da mãe do século 21.
A psicóloga Maria Lúcia Biem diz que a mãe de hoje carrega consigo a dor da modernidade e da necessidade. “O desejo de toda mãe que trabalha fora é ficar apenas meio período fora de casa, podendo cuidar do filho no restante do dia. Mas, infelizmente, nem sempre isso é possível”, destaca.
Arrimo de família, as mulheres chegam a dedicar 12, 14 horas por dia, ao trabalho, deixando a criação dos filhos aos cuidados de berçários, creches, babás ou avós. “Isso gera um grande sentimento de culpa e frustração”, salienta a psicóloga.
Falta de tempo para observar o crescimento das crianças é a principal reclamação. A vendedora Lucilene Juste São Romão, mãe de Laura, 3 anos, está vivendo na pele essa situação. “Eu me sinto muito triste por não ficar mais tempo com ela”, salienta.
A menina passa o dia na casa da avó e freqüenta a escola por meio período. Para o relacionamento com a mãe, sobram algumas horas antes de dormir à noite e os finais de semana.
Para que esses momentos sejam prazerosos, Lucilene diz que evita repreender a menina. “Não quero vê-la chorando, por isso, deixo fazer tudo o que quiser. O problema é que isso está deixando-a mimada”, ressalta.
Outro sentimento que surge no meio do turbilhão de emoções que é a maternidade é uma pontinha de ciúme da avó. “Quando ela está doentinha, prefere o colo da avó ao meu. Isso me deixa um pouco enciumada, mas não é por mal”, relata.
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O que fazer com esse dilema?
A saída para não povoar a cabeça com dúvidas e ressentimentos é cultivar da melhor maneira possível os poucos momentos em família.
A psicóloga Maria Lúcia Biem frisa que, quando a criança é pequena requer mais atenção da mãe. Nessas horas, os cuidados com a casa devem ficar em segundo plano. “A mulher tem de entender que o filho é a sua prioridade naquele momento e não se preocupar com as outras coisas”, afirma.
O apoio do marido e de outros familiares é fundamental nessa hora.Também vale lembrar que o trabalho fora de casa é uma maneira de proporcionar uma vida melhor para esse filho. “Na maioria das vezes, a mulher não trabalha por hobby. Ela compõe o orçamento doméstico e não pode deixar o emprego de lado para ficar em casa”, destaca.
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Como aproveitar melhor o tempo
• Divida Não queira ser a “mulher-maravilha”. Delegue tarefas a outras pessoas, peça ajuda do marido, da babá, da avó, da tia... para ser uma boa mãe, não é preciso fazer tudo pessoalmente.
• Organize Faça um cronograma com as atividades das crianças, suas e de seu marido. Tente visualizar nessa tabela as brechas de tempo que você poderá dedicar à família.
• Otimize Algumas coisas podem ser resolvidas por telefone ou Internet. Abuse dessas ferramentas para fazer compras e pagar contas.
• Desligue Não leve trabalho para casa. O seu tempo no emprego já é suficiente para resolver as pendências que o cargo acarreta. Em casa, seus momentos devem ser da criança.
• Cuide-se Acima de tudo, é preciso ter saúde e disposição para enfrentar esse enorme desafio de ser mãe/mulher/dona de casa. Por isso, reserve um tempinho para você mesma.
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Qualidade x quantidade
Para aliviar a culpa das mães, os especialistas fazem questão de frisar que mais vale a qualidade do relacionamento do que a quantidade de tempo que se fica com o filho. “Mais vale uma hora por dia de atenção e dedicação do que um dia inteiro desperdiçado”, frisa Maria Lúcia Biem. Ela destaca que há muitas mães que passam o dia com o filho, mas não têm paciência para brincar, se divertir e curtir a criança.
A procuradora do Estado Marta Adriana Gonçalves Silva Buchignani, mãe de Isadora, 5 anos, e Carolina, 2 anos, segue à risca a questão da qualidade. “Procuro estar presente nos momentos importantes da vida delas”, destaca.
Embora também se sinta triste por não estar com as meninas o tempo todo, Marta lembra que já tinha em mente como seria essa vida dupla desde a gravidez da primeira filha. “Quando a Isadora nasceu, eu já era procuradora e tinha uma agenda atribulada. Por isso, busquei sempre um equilíbrio entre a carreira e a maternidade”, destaca.
O fato de poder contar com apoio extra da mãe e da irmã, além de ter uma babá “excelente”, ajuda Marta a ficar mais tranqüila, principalmente quando precisa viajar a trabalho.
Para se aproximar mais das filhas nessas horas, ela telefona de onde estiver toda noite para dar um beijo antes delas dormirem e procura trazer uma lembrancinha na volta para casa. “Não é para tentar compensar minha ausência. É para deixar claro que me lembrei delas”, diz.