Tribuna do Leitor

Mecanização, sinônimo de perdas


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Dentro do contexto social em que hoje se vive, é indubitavelmente difícil manter-se fora de um sistema mecanizado de vida. Há, claro, a necessidade de se manter certas regras como horários, compromissos, isso para que uma coesão nas relações sociais e cotidianas seja estabelecida. A questão está até onde estas necessárias regras são culpadas em relação a como estão vindo mecanizar não só processos e atividades, como também relações interpessoais. Hoje, aparentemente, cada pessoa refugia-se dentro de si e mantém com outras pessoas apenas contatos convenientes para facilitação de seu cotidiano e seus interesses financeiros forçados. Nesse mundo capitalista, nota-se claramente o egoísmo causado com a tal modernidade, sendo ele visível e de certa forma necessário.

O refúgio pessoal pode ter por causa a falta dessas, mesmo julgadas desnecessárias relações. Além de explícita, a frialdade dos relacionamentos técnicamente estabelecidos é de certa forma alarmante. Não é difícil imaginar e por que não presenciar nos centros das metrópoles, onde a concentração populacional é consideravelmente grande, e cada qual em seu refúgio, um indivíduo estirado no chão e por ele passarem pessoas e terem atitude como se ele não fosse apenas mais um ornamento da “decoração” urbana. Pode-se concluir que não é raro a presença do sentimento de se estar sozinho mesmo dentre uma multidão.

A automatização do cotidiano é considerada como mais uma etapa do ciclo natural de uma vida social, onde os dias vão passando um após o outro, rotineiramente, dando a parecer que são todos iguais. A espontaneidade dos atos é perdida cada vez mais. O estreitamento da congruência entre máquinas e humanos é maior, afinal, a capacidade racional dos seres perante máquinas pode sim ter seu grau de complexidade equiparada, mas até agora a capacidade sentimental em máquinas não visa-se possível. Entretanto, no caminho em que os fatos estão, sentimentos equivocadamente descartados serão alavanca para equivalência simples entre o potencial de homem e máquinas. Cabe, por fim, analisar se realmente os benefícios mecânicos de uma rotina são suficientes para se perder a “qualidade” de ser humano para não apenas tornar-se robôs.

Brenda Yara S. de Oliveira - RG 41.305.300-3

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