Botucatu - A dona de casa Eva Aparecida dos Santos Ferreira, 39 anos, foi presa anteontem depois de admitir, segundo polícia de Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru), ter envenenado o próprio marido, o aposentado Carlos Ferreira, 69 anos.
De acordo com o delegado Marcos Sagin Campos, do 2.º Distrito Policial, ela teria alegado desavenças com a família do marido como motivo para tramar a morte dele. Segundo comentários, os parentes da vítima não estariam aceitando o relacionamento dos dois mesmo depois de nove anos de casamento.
Eva foi encaminhada à cadeia de Itatinga, onde deverá aguardar julgamento por homicídio qualificado. Ela revelou, segundo a polícia, que vinha colocando veneno de rato na comida dele há cerca de uma semana. E que, nos últimos dias, passou a injetar veneno de barata na veia do marido dizendo que era vitamina e que aquilo poderia reanimá-lo. Ferreira já estava sentindo os efeitos do raticida.
Não bastassem as doses diárias de veneno, na tarde da última terça-feira a dona de casa teria decidido radicalizar. Ela desferiu uma marretada na cabeça do marido, o que provocou traumatismo craniano.
Ela mesma acionou a equipe de resgate e acompanhou o marido até o Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas (HC). Além do sangramento na cabeça, o aposentado apresentava ainda vários hematomas pelo corpo. Segundo o hospital, enfermeiros teriam perguntado a ela o que teria acontecido e Eva teria admitido de pronto as agressões e o envenenamento.
A polícia foi acionada e a versão foi mantida pela dona de casa, que acabou presa. Segundo contou o delegado, inicialmente ela responderia apenas por atentado contra o marido. Mas após a morte dele, o indiciamento passou a ser por homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos de prisão.
Após dar entrada no PS, Ferreira foi levado ao centro cirúrgico para drenar a hemorragia na cabeça, mas os médicos não puderam iniciar o procedimento porque o sangue não coagulava. Segundo o hospital, isso aconteceu por causa da presença do veneno na corrente sangüínea do paciente.
O aposentado foi levado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) onde tentou-se um trabalho de desintoxicação do sangue, mas o paciente não resistiu e acabou morrendo.
O veneno de rato, normalmente, mata em pouco tempo após a ingestão. Entre os efeitos estão a parada respiratória e a hemorragia interna. O casal não tinha filhos.