Maracujá é a fruta do momento em Bauru. Os produtores da Associação Baurufrutas estão colhendo uma média de 20 toneladas por mês da espécie, mas ainda há espaço para mais 30 toneladas. A avaliação é do responsável pelo departamento comercial da entidade, Nivaldo Severino de Oliveira.
Ele salienta que toda a produção dos associados está sendo comercializada e a demanda para esse tipo de fruta supera em mais de 100% o que vem sendo colhido.
A Baurufrutas reúne 35 produtores desse tipo de cultura. Eles escoam sua produção para a Central de Abastecimento de São Paulo (Ceasa), para os supermercados da cidade e para agroindústrias. “Temos um classificador de frutas que separa as de melhor qualidade das demais. As primeiras são vendidas in natura. As outras são beneficiadas e se transformam em suco concentrado”, destaca o agrônomo da entidade, Juliano Piovezan.
Ele explica que a associação nasceu há alguns anos, com o objetivo de fazer a cidade descobrir a sua vocação na agricultura. “Temos condições de produzir frutas de qualidade e estamos investindo nesse ramo”, frisa.
A Baurufrutas nasceu de uma parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade do Sagrado Coração (USC), a Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (Sagra), o Seviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae) e a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).
A idéia é fomentar o cultivo de frutas no município e o maracujá saiu na frente na preferência dos produtores de Bauru justamente pelo retorno rápido que proporciona.
A produtora Célia Togashi, que faz parte da Baurufrutas, explica que faz um ano que começou a plantar a fruta e já está na primeira colheita. “Escolhi essa espécie justamente por ser rápido o retorno”, frisa.
Ela conseguiu colher, de janeiro até agora, mais de quatro toneladas da fruta. A produção foi totalmente vendida para a Ceasa, supermercados e, o que não estava bom para o comércio in natura, virou suco.
Togashi já tinha a propriedade, mas não lidava com agricultura. Seu ramo de atuação era administração de empresas. “Depois da aposentadoria, investi no plantio de maracujá por curiosidade e deu certo, estou satisfeita”, diz.
Acompanhamento
O engenheiro mecânico Nilton Scudeller recebeu uma terra de herança há algum tempo. Para torná-la produtiva, apostou em diversas atividades, tais como gado de corte, leite e plantio de legume. Depois, passou um período distante da agricultura. “Esse projeto da Baurufrutas me estimulou a plantar novamente”, diz.
Desde outubro do ano passado, ele desenvolveu sua plantação de maracujá em um quarto de hectare. Inicialmente, são 420 pés. Mas a idéia é expandir essa área futuramente. “Pretendo produzir 20 toneladas por ano”, salienta.
Para lidar com a plantação, Scudeller tem três funcionários. Mas eles não se dedicam apenas a essa cultura. “Apenas um seria suficiente para o maracujá. É que eles fazem outras coisas na propriedade”, destaca.
O que o atraiu no projeto Baurufrutas foi a possibilidade de contar com apoio logístico e técnico de profissionais ligados à área, o que garantiu uma certa tranqüilidade para o iniciante. “A produção tem saída garantida e quando temos alguma dúvida recebemos orientação de gente que entende do ramo”, salienta.
Ele diz que a produção de maracujá dá um pouco de trabalho. É necessário acompanhar de perto o desenvolvimento do pé e tomar cuidado com doenças que possam prejudicar o fruto. “Tem que dar um tratamento bem manual no começo e ficar atento à viroses”, destaca.
Scudeller acredita que o investimento por hectare chegue a R$ 13 mil, contando a montagem da estrutura necessária para fazer a espaldeira.
Curso
Nos próximos dias 12, 13 e 14 de maio, a Baurufrutas vai realizar o curso “Cultivo de maracujá”. Voltado para associados e interessados em geral, a idéia é transmitir e atualizar práticas da cultura da fruta, que está em alta em Bauru.
A metodologia do curso abrange aula teórica e visita técnica em campo. A parte teórica será realizada na Cati de Bauru, na avenida Rodrigues Alves, 20-20. Já a aula prática será uma visita a um associado da Baurufrutas, sábado, às 7h30.
O agrônomo Juliano Piovezan explica que serão abordados diversos temas que visam elucidar o produtor sobre o cultivo da fruta, bem como incentivá-lo a investir nessa espécie. Entre os assuntos que serão tratados estão “Controle de doenças”, “Biologia floral e polinização”, “Práticas culturais” e “Controle de pragas”.
As inscrições terminam hoje e o investimento é de R$ 20,00. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (14) 3203-3257 e 3223-1444.
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Goiaba
Outra espécie a ser inserida em breve na agricultura local é a goiaba. A Associação Baurufrutas fechou, em fevereiro, uma parceria com a Goiabrás (associação nacional dos produtores de goiaba) e pretendem colocar em prática ações visando incentivar o cultivo desse tipo de fruta em Bauru.
O engenheiro agrônomo da Baurufrutas, Juliano Piovezan, explica que em junho será realizado um curso sobre o cultivo de goiaba de mesa. No evento, deverá estar presente o presidente da Goiabrás, Arlindo Piedade Neto.
A partir desse curso, deverá ser instalada no galpão da associação a agroindústria que já funciona na fazenda experimental da USC.
“Estamos adequando toda a estrutura para ter suporte de mercado ao lançarmos o desafio ao produtor. Nossa maior preocupação é garantir o escoamento da produção. Não adianta plantar e não ter para quem vender”, salienta. O curso será realizado na Cati Bauru nos dias 16, 17 e 18 de junho.