O Brasil começa a conquistar novos mercados para o álcool. Desde 2003, o volume das exportações vem crescendo, movimento que abre boas perspectivas para os usineiros. De acordo com José Nilton de Souza Vieira, assessor do Departamento da Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o País conseguiu exportar, em 2004, 2,4 bilhões de litros de álcool. A alta dos preços do petróleo e a maior competitividade do álcool na indústria química foram alguns dos fatores que motivaram o crescimento.
Vieira afirma que, hoje, a utilização do álcool como oxigenante para a gasolina está ganhando espaço em vários países, o que cria a expectativa de que o produto venha a se tornar uma nova comodity internacional.
O governo federal está estreitando relacionamentos com o Japão, China e Venezuela. A mesma expectativa existe em torno de países como Suécia, Suíça e Alemanha.
Vieira destaca que países como o Japão, China, Coréia, Suécia, além da União Européia, sabem que precisarão recorrer ao mercado externo de energias renováveis para cumprir suas metas de redução de emissões de poluentes.
“O Protocolo de Kyoto e as preocupações de outros países com o meio ambiente contribuirão para o aumento da produção de álcoolâ€, diz André Luís de Oliveira Cunha, gerente industrial regional das usinas do Grupo Cosan, com unidades em Jaú, Dois Córregos e Barra Bonita.
Para a pesquisadora da equipe do setor sucroalcooleiro do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq-USP, Mirian Bacchi, é preciso buscar um aumento de demanda do produto para que os preços possam se manter em níveis remuneradores.
“O que o setor está procurando fazer é divulgar um combustível com qualidades ambientais como o álcool, para que possamos continuar tendo taxas de crescimento semelhante a que temos observado nos últimos anosâ€, diz. Ela lembra que vários países estão atentos às questões ambientais e o álcool tem sido apontado como um produto alternativo a combustíveis fósseis.
Mercado interno
Internamente, a venda de álcool vem crescendo nos últimos anos. Em 2001 e 2002, as vendas de veículos a álcool cresceram de 18 mil para 54 mil unidades. Em 2003, com a chegada dos carros “flex-fuel†foram vendidos 36 mil veículos a álcool, além dos 48 mil “flexâ€. Em 2004, as vendas totais chegaram a mais de 380 mil unidades.
“Além do crescimento do mercado interno, temos razões positivas para que exista um mercado mundial do álcool, quer seja por causa do preço do petróleo, quer seja pelas razões ambientaisâ€, diz Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica). “Além disso, a cana é uma atividade que a médio e longo prazo traz menos risco do que qualquer outra cultura. Isso estimula a expansão do setorâ€, completa.
Em 2005, de acordo com Hermínio Jacon, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana do Médio Tietê, a produção de álcool deve ser um pouco maior do que a de açúcar na região de Lençóis Paulista. “Com o crescimento das vendas do carro flexível, está havendo um consumo maior de álcool. Eu acredito que na nossa região, o mix (de produção nas usinas) fique em torno de 51% para álcool e 49% para açúcar nesta safraâ€, diz Jacon, para quem a produção de álcool na região tende a crescer gradativamente.
Com base na demanda de mercado, o diretor da Unica explica que as usinas têm possibilidades de migrar parte da cana utilizada na produção de açúcar para álcool ou vice-versa. “Mas essa possibilidade de remanejamento é pequena, não chega a 10%â€, observa.