A queda da temperatura traz consigo um aumento preocupante no número de acidentes envolvendo queimaduras. Tradicionalmente, esse número dobra nos meses frios. A maioria dos acidentes ocorre por descuidos banais e 80% das vítimas são crianças.
De acordo com a cirurgiã-plástica Cristiane Rocha, coordenadora da Unidade de Tratamento de Queimaduras (UTQ) do Hospital Estadual (HE) de Bauru, o frio faz com que as pessoas mexam mais com produtos quentes. Elas fazem mais sopas, aquecem mais o leite e a água do banho. “Além disso, vêm as festas juninas, com seus rojões, balões e bombinhas, que sempre fazem vítimas”, destaca.
Segundo ela, a imensa maioria dos acidentes ocorre por descuido em atividades corriqueiras. Foi o que aconteceu com “G”, 1 ano, que está internado no HE. O pai carregava uma frigideira com óleo quente. O utensílio desequilibrou na mão dele e o óleo caiu sobre a criança.
“G” foi atingido na cabeça, pescoço, tronco, braço pé. Apesar do susto e da dor, Rocha afirma que ele deverá ficar com cicatrizes suaves, mas provavelmente sem seqüelas mais graves.
Ao contrário de “T”, 11 anos, que teve 45% do corpo queimado por uma descarga elétrica. Ele mesmo conta que viu uma pipa e decidiu pegála. Só que a pipa estava presa no gerador de uma subestação de energia da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) em Bariri. O menino recebeu uma descarga de aproximadamente 14 mil volts.
O choque causou queimaduras de segundo e terceiro graus no rosto, tórax, braços e barriga. Rocha comenta que os ferimentos foram graves e que o menino ficará com seqüelas importantes. “Ele está com o pescoço retraído e com perda parcial dos movimentos nos braços. Vai precisar fazer várias cirurgias plásticas ao longo de seu desenvolvimento para liberar as retrações”, afirma.
Indagado sobre o risco que corria, “T” conta que sabia ser perigoso pegar a pipa naquele lugar, mesmo assim, arriscou-se. E só está vivo porque esse tipo de equipamento desliga sozinho quando ocorre uma descarga. O acidente provocou um apagão de 35 minutos em Bariri e Itaju.
“E são quase sempre acidentes bobos. A mãe que coloca a água fervendo na banheira e, enquanto vai buscar a água fria, o filho puxa a banheira. Ou a mãe que deixa as panelas com os cabos voltados para fora e a criança puxa para ver o que tem dentro. São coisas que poderiam ser evitadas com procedimentos simples, como colocar primeiro a água fria na banheira, manter os cabos da panela sempre voltados para dentro e impedir a permanência de crianças na cozinha”, orienta.
Preocupados em reverter esse quadro e reduzir o número de acidentes, funcionários do HE elaboraram uma campanha para conscientizar adultos e crianças sobre a importância de se adotar comportamentos preventivos.