Um cigarro de maconha foi encontrado anteontem em poder de um interno da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru. A pequena quantidade, que não chega a um grama, soma-se a outras apreensões de entorpecentes na unidade e expõe a fragilidade da segurança do prédio. O diretor, Jorge Lelis Pinholi, confirma que parte da droga é encontrada pelos agentes de segurança no pátio, o que indica que os entorpecentes são arremessados sobre o muro.
Ele explica que o perímetro externo é um pasto e não pertence à unidade. “Só se vê o que passa por cima do muro. É mais fácil (jogar sobre o muro).”
O titular da Delegacia da Infância e Juventude (Diju), Adib Jorge Filho, informou que tem ocorrido apreensões, algumas em poder dos adolescentes, em seus pertences ou no pátio.
Jorge Filho defende a necessidade de medidas que inibam a ação na área externa. “Seja através de vigilância ou de equipamentos que possibilitem robustecer a segurança, quebrando esses flancos de vulnerabilidade.”
Ele explica que vai ouvir o adolescente surpreendido, às 18h50 de anteontem, com um cigarro de maconha e destaca que o flagrante de alguém arremessando substância entorpecente para o interior da Febem implica em crime de tráfico de drogas, com pena de 3 a 15 anos de reclusão e com o agravante de se tratar de uma unidade educacional.
Há pouco mais de dez dias no cargo, Pinholi calcula que é às segundas-feiras que se faz a maioria das apreensões de drogas na unidade de Bauru. “A revista é rigorosa e a gente acredita que não tem como passar. Mas nunca é perfeita.” Aos domingos, cerca de 55 dos 70 internos recebem a visita de aproximadamente 150 pessoas.
Pinholi diz que pretende ampliar o número de revistas nos internos, que hoje são semanais. Ele não descarta a possibilidade de elevar a altura do muro e criar uma área de isolamento no entorno do prédio. “Para dar mais segurança à unidade, a gente pensa em colocar cães e segurança eletrônica (câmeras).”
O representante do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa), Heitor Theodoro, confirma a grande incidência de entorpecentes encontrados no pátio. Ele defende a construção de quatro torres, posicionadas nas extremidades do prédio.
Ele explica que a visibilidade da área externa da unidade é prejudicada no horário noturno. “Se você for à noite, vai ver que tem holofotes queimados. É uma mata. O cara passa e joga e ninguém vai ver”, conta.
Theodoro destaca que a unidade de Bauru não comportaria o perfil de alguns adolescentes internados. “A proposta pedagógica é para nível 3 e não para níveis 4 e 5 como tem lá hoje. São adolescentes com maior periculosidade.”