Tribuna do Leitor

Tuga paz & amor


| Tempo de leitura: 3 min

Pelo andar da carruagem política, a impressão que se tem é que o prefeito de Bauru, Tuga Angerami (PDT), está vivenciando uma fase “zen”, conduzindo seu governo com discrição e sem espalhafato, no melhor estilo do “bom silêncio” dos não-inocentes. Evidentemente que esta sua postura (zen-tuguismo) tem lá seus motivos e suas conveniências políticas. Um dos motivos, por certo, deve-se ao início de governo eletrizante, onde a crise do lixo (Emdurb) causou sérios danos à imagem do novo governo (mau começo). Mas, a partir daí, o padrão da conversa mudou e a mudança de tom teve seus significados. A prova cabal disso é que a crise da Emdurb está dando ares de esquecimento (seu presidente sumiu dos holofotes; aliás alguém se lembra dele?). Um outro motivo e mais importante para este comportamento retraído e não ruidoso está no “choque de realismo” ao se descobrir a verdadeira e precária situação das finanças públicas, agravada por um orçamento enxuto que, de certa forma, engessa e imobiliza as ações do governo. Também uma dívida colossal herdada do governo anterior. Mas o pior: sem perspectivas no horizonte estadual e federal (contingenciamento) e ainda mais se analisarmos que o calendário político-partidário e eleitoral de 2006 já começou. Enfim, numa situação complicada dessas, o melhor a fazer mesmo é não alardear muito e trabalhar com afinco sem chamar a atenção e a exposição pública, tarefa aliás, que o prefeito e sua equipe vêm fazendo convenientemente. Parece sensato. Agora, senhor prefeito, não exagere. Já deu para perceber que não se governa uma cidade como Bauru com egocentrismo (ao bel prazer do Executivo). Um relacionamento harmonioso e respeitoso com o Legislativo e também com a mídia de massa (opinião pública) é primordial, sem os quais o poder não se sustenta. No entanto, para quem sempre defendeu a transparência pública está sem uma boa comunicação . Neste quesito, seu governo deixa a desejar. Essas ambigüidades passam uma mensagem ruim, deixando dúvidas no ar. Portanto, se a comunicação vai mal, todo o resto tende a parecer ainda pior. Também, senhor Tuga, passados quatro meses de sua gestão, já está na hora de acelerar o passo e dar as respostas práticas que o cidadão contribuinte espera, Mas o governo poderá argumentar: não é ainda muito cedo para se cobrar resultados? Pode ser. No entanto, também é muito cedo para certas frustrações e manifestações de saudosismo do ex-governo (ex-prefeito) expressas por alguns leitores desta democrática Tribuna. Não que a comparação seja plenamente absurda, mas é preciso, no entanto, que se mantenham as devidas proporções e as diferenças no modo de pensar e de agir. Ou será que nossos políticos são todos iguais? Aliás, todos os missivistas devem continuar nesta jornada democrática de opiniões, críticas e sugestões, pois estas expressam o consciente coletivo da população e devem também servir de termômetro social para o governo, que, em momento algum, deve achar-se imune às críticas e alheio às vozes da sociedade. Em resumo, senhor prefeito, a sensação é de que a cidade está parada. Falta comunicação e falta ação. Falta comunicação da ação do governo. E, do jeito que a coisa está, esta relação de paz e amor do governo para com a sociedade, diferentemente da cidade, tem lá seus limites. Então, para que esgotá-los em tão pouco tempo? Com a palavra, o senhor prefeito municipal de Bauru.

Aurélio da Silva Braga - RG 12.912.493

Comentários

Comentários