Pesca & Lazer

Pescador é responsável por meio ambiente

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Durante um passeio de barco pelo rio ou em uma caminhada na praia, infelizmente, é inevitável encontrar as “pegadas” do maior predador do meio ambiente: o bicho homem. Não é preciso procurar muito, basta um olhar atento às margens e galhadas: são sacos plásticos, embalagens de todos os tamanhos e cores, latas, garrafas pet e toda a diversidade de lixo possível. Na praia, a mesma coisa. Tampinhas, latas, palitos, embalagens, vidros, caixas, enfim, é fácil encontrar o lixo espalhado, às vezes ao lado de imensos coletores.

É claro que não é possível generalizar, afinal, há muitas pessoas que sabem o local correto para jogar seu lixo, mas o que parece ser tão evidente, ainda causa transtorno para o meio ambiente. As entidades governamentais e não governamentais se empenham na conscientização, principalmente do público infantil, que já conta com a educação ambiental na escola. A dificuldade está, porém, na educação ambiental para os adultos.

Efeitos da pesca

O pescador, por seu habitual contato com a natureza, pode ser um importante agente multiplicador no que se refere à conscientização ambiental. Além disso, o pescador pode modificar algumas de suas posturas para reduzir o impacto causado por suas ações.

Cigarro

Algumas cenas comuns em pescarias às vezes nem aparentam o impacto que causam. O pescador fumante, por exemplo. Deixando de lado os problemas que o tabaco causa à saúde, um filtro de cigarro demora cinco anos para se decompor na água, isso se nenhum peixe abocanhá-lo acidentalmente. E quem nunca viu um fumante arremessar a bituca no rio? É difícil para o fumante apagar o cigarro e colocar o resíduo em um saquinho de lixo, que deve acompanhar todos os pescadores à beira do rio?

Chumbada

Outra ação do pescador, que é poluente, mas ainda pouco questionada, são as chumbadas. Quantas chumbadas ficam no rio ou no mar após um dia de pesca? É só lembrar dos enroscos e pedreiras ou dar uma verificada na caixa de pesca, que sempre precisa ser reabastecida com novas chumbadas. O chumbo, como todo metal pesado, degrada-se muito lentamente no meio ambiente, persistindo durante décadas no solo e no fundo de rios, lagos e represas. Não é metabolizado pelos animais e sofre o processo de bioacumulação, afetando mais os animais do topo da cadeia alimentar, entre os quais está o homem. Chega a ser irônico, pois o pescador deixa a chumbada no rio e depois pode ser prejudicado por ela.

Em 2004, o Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (Liec), integrado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFScar) e do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Araraquara, apresentou a chumbada ecológica. O produto já está no mercado, pela Tecnicer, empresa de São Carlos.

Na fabricação das chumbadas ecológicas são empregados materiais como argila, areia e pó de pedra, que são biocompatíveis com o fundo dos rios e lagos, em substituição às tradicionais de chumbo, que contaminam a água e os peixes. Com o uso desse material na pesca, apesar da necessidade de escolher bem o tamanho, pois são mais leves, o pescador reduz o impacto que suas ações causam ao meio ambiente.

Linha de nylon

Infelizmente é mais comum do que a gente imagina. Pescadores cortam suas linhas de nylon para se verem livres das cabeleiras e, na maior “cara-de-pau”, jogam aquele emaranhado todo no rio. Além de ser um produto que demora 30 anos para se decompor, é uma verdadeira armadilha para os peixes. Sem falar das redes de pesca que são abandonadas em rios e lagos.

Lixo

As pessoas devem se habituar a carregar sempre sacos de plásticos para transportar de volta o seu lixo. Também é uma ação correta recolher o que encontrar, afinal, um bom exemplo é melhor do que mil conversas. Se você está com seu grupo de pesca, procure conscientizar os outros pescadores, mesmo que entre eles existam aqueles “cascas-grossas”, que são “mestres” em tentar ridicularizar essas ações. Não se sinta intimidado, ridículos são eles. Tenha sempre em mente que o ambiente é para todos e se as ações não forem coletivas, pouco irá restar às gerações futuras, o que incluem seus filhos e netos. Seja um protetor e não um predador da natureza.

O bagre

Em maio de 2004, um morador dos Estados Unidos viu uma bola muito estranha dançando na água e chegou mais perto para dar uma olhada. Com surpresa, viu um enorme bagre que aparentemente tentou engolir uma bola de basquete de criança e ficou com ela entalada na boca.

O peixe estava terrivelmente cansado de tentar mergulhar, mas não conseguia, porque a bola sempre trazia sua cabeça à superfície. O morador tentou inúmeras vezes tirar a bola, sem nenhum sucesso. Sua esposa furou a bola, esvaziando-a e assim libertando o enorme bagre. A história saiu no jornal “The Sunday Wichita Eagle” e agora as curiosas fotos estão circulando na Internet.

A seção Pesca & Lazer recebeu o e-mail de vários leitores, que também colocaram em questionamento o risco da poluição, mesmo que involuntária, em rios e mares. É comum, por exemplo, ver notícias de tartarugas marinhas que morrem pela ingestão de sacos plásticos confundidos com águas-vivas. O Zoológico de Bauru, há mais de dez anos, perdeu uma onça pintada que morreu asfixiada com uma embalagem de salgadinhos, lançada em sua jaula por visitantes.

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