A campanha do agasalho é um evento tão tradicional no período do ano que antecede o inverno que as diversas ações que pipocam a partir de inúmeras iniciativas chegam a correr o sério risco de passar despercebidas - ou só notadas pelas comunidades envolvidas. Pior que isso, campanhas paralelas muitas vezes “trombam” em seus objetivos, atendendo uns mais que outros.
Foi justamente para evitar estas “trombadas” que a Prefeitura de Bauru, através da Secretaria do Bem Estar Social (Sebes), lançou na semana que passou uma espécie de Campanha do Agasalho “unificada”, com a audaciosa meta de superar as edições anteriores e atingir a marca de 80 mil peças arrecadadas.
A assistente social Egli Muniz, titular da pasta, garante que a iniciativa não tem a pretensão de criar uma campanha única, nem mesmo algo paralelo à principal iniciativa, que é a Campanha do Agasalho coordenada Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, ação que acaba sendo reproduzida em todo o Estado por diversas entidades e órgãos públicos, como polícias (Civil e Militar) e universidades estaduais (USP e Unesp), entre outros.
“Nossa intenção é apenas somar nossos esforços às diferentes campanhas”, garante Muniz. Ela explica que a Sebes quer agir como articuladora do processo com o principal objetivo de evitar a duplicidade de atendimento. Traduzindo, a Sebes quer coordenar, principalmente, o trabalho de distribuição do material arrecadado para evitar que uma mesma comunidade acabe atendida por doações de mais de uma fonte, enquanto outras podem ficar congelando ao relento.
Com isso, a Campanha do Agasalho de Bauru foi oficialmente deflagrada na última quarta-feira, dia 11, com previsão de se estender por 30 dias, após um encontro que reuniu cerca de 50 pessoas representantes de entidades, empresas, escolas e órgãos públicos que tradicionalmente já fazem suas campanhas.
Antes disso, na terça-feira, durante cerimônia na Delegacia Seccional, a Polícia Civil de Bauru já havia lançado a Campanha do Agasalho amparada no esquema estadual do Fundo Social de Solidariedade, com a divulgação de uma extensa lista de postos de arrecadação.
Na pauta da reunião de quarta-feira, ações para direcionar os resultados das campanhas independentes com o único propósito de atender, de forma organizada e justa, as carências da população bauruense. Também ficou definido que neste ano não haverá a coleta domiciliar em função do alto custo e do baixo índice de arrecadação em anos anteriores, mas apenas postos de arrecadação em supermercados, casas lotéricas, escolas, universidades, empresas, delegacias, postos policiais, bancos, em todas as regiões da cidade.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, a proposta da Sebes de somar todas as iniciativas para que não haja duplicidade de arrecadação e de distribuição foi aceita por unanimidade. Participaram do lançamento dessa iniciativa, qualificada pela Sebes como “grande corrente de solidariedade”, representantes de todos os setores da cidade e de várias instâncias da administração municipal, como Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam), Defesa Civil, Departamento de Água e Esgoto (DAE) e secretarias do Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente, Cultura e Esportes e Lazer.
Esquema
Para garantir uma distribuição democrática de todo o material arrecadado na cidade, a Sebes fará uso de suas informações sociais estratégicas, que indicarão onde estão localizadas as comunidades mais carentes e necessitadas das doações. Para isso, definiu 37 localidades como os principais bolsões de pobreza de Bauru, cujas populações terão preferência por ocasião do atendimento.
Egli Muniz explica ainda que, enquanto gestora da política de assistência social da cidade, a Sebes também tem condições de indicar as entidades que poderão fazer, ou até se beneficiar, da distribuição das peças de roupas ou cobertores.
“Nossa missão será orientar e coordenar a distribuição, disponibilizando a relação das regiões mais carentes e apontando quais entidades poderão fazer este trabalho. Mas se for preciso, a Sebes também se encarregará deste serviço”, explica Muniz. Além disso, “monitorando” as entregas a Sebes evitará que uma mesma comunidade seja atendida mais de uma em detrimento de outra que ainda não recebeu os donativos.
Com isso, o trabalho de distribuição das doações poderá ser feito de três formas: 1) a entidade ou empresa que arrecadou faz a entrega diretamente à comunidade, mas informa a Sebes o destino e quantidade de material entregue; 2) o arrecadador entrega seus donativos a uma entidade social (escola, associação de moradores, etc) a ser indicada pela Sebes. Esta entidade, por sua vez, repassa o material a um público-alvo pré-determinado pela Sebes; 3) a própria Secretaria se encarrega de buscar o material arrecadado e faz a distribuição. “Mas vamos incentivar que quem arrecadou faça a distribuição”, avisa.
• Serviço
Para que toda a população carente de Bauru seja atendida, é importante que as entidades que vão promover campanhas próprias comuniquem a Sebes onde farão a distribuição. O telefone para este contato é o 3234-8705.