A unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) não tem condições de atender os internos e de garantir a segurança dos funcionários. A crítica de Heitor Theodoro, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo (Sintraemfa), vai além. Para ele, a situação da unidade é caótica, tanto que a possibilidade de interdição não deve ser descartada.
Na opinião de Theodoro, a fragilidade da unidade favoreceu duas rebeliões em menos de 24 horas e pode facilitar outras mais. Além da destruição provocada durante o motim de ontem, móveis e computadores também foram avariados na noite de domingo, quando uma tentativa de fuga foi frustrada e a primeira rebelião, registrada.
Na ocasião, parte dos funcionários se refugiu na guarita, cujo vidro foi estilhaçado para que os trabalhadores não se asfixiassem com a fumaça dos colchões queimados. A ocorrência terminou na madrugada de ontem, também com a chegada da Tropa de Choque. Pelo menos um funcionário ficou ferido na durante a primeira rebelião, quando os internos já estavam munidos de barras de ferro.
Mesmo assim, até o início do outro motim, os adolescentes ainda não tinham passado por revista. Para executá-la, os funcionários cobraram da diretor da unidade, Jorge Pinholi, a presença da Polícia Militar.
“No início achei que não era necessário, mas depois vi que eles (funcionários) tinham razão”, diz o diretor, segundo quem o auxílio da PM para a revista havia sido solicitada na manhã de ontem, sendo que até as 15h (horário do início da segunda rebelião), a Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania ainda não tinha uma posição.
“Dá a impressão que existe interesse da Febem nas rebeliões. Agora eles vão ter de recuperar a unidade com verba sem licitação. Por isso, foi encaminhado à Assembléia Legislativa pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O trabalho (dentro da unidade) tem de ser preventivo, não pode deixar chegar nesse caos”, reitera Theodoro. Ele também cobra satisfação quanto à morte de um interno registrada na unidade de Bauru em fevereiro. Para o diretor do sindicato, o silêncio reforça “o ar de impunidade”.
A reportagem tentou obter informações sobre o caso, mas segundo o promotor da 2º Vara Criminal, Onilande Santino Basso, assuntos relativos a menores infratores correm em segredo de Justiça. Já o titular da Delegacia da Infância e Juventude (Diju), Adib Jorge Filho, não foi encontrado pela reportagem porque ontem estava em São Paulo.