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Cai em 0,48% crescimento da população

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A população de Bauru está crescendo em ritmo mais lento nos últimos anos. Projeção populacional divulgada ontem pela Fundação Seade aponta que a taxa anual de crescimento no município caiu de 2,19%, verificada entre 1991 e 2000, para 1,71% entre 2000 e 2005 (veja quadro ao lado). Ou seja, a população continua aumentando, mas no início deste século está 0,48% mais devagar em comparação à última década do século XX.

Pelo estudo da Seade, Bauru está com 343.493 moradores. Mesmo com a queda, a população do município ainda cresce num ritmo muito próximo do Estado de São Paulo, que entre 2000 e 2005 foi de 1,6% ao ano. No Brasil, o crescimento anual médio no período foi de 1,4%, mas há localidades com índices altos, como Bertioga (litoral de São Paulo), onde a taxa anual é de 8,4%, e outras que vêm perdendo população. Itaóca (região de Registro), por exemplo, a taxa anual é de - 1,7%.

Bauru segue a tendência de Araraquara, Araçatuba, Botucatu, Marília, Picaricaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São Carlos, São José do Rio Preto, Sorocaba e da Capital, que registraram desaceleração no crescimento populacional nos últimos anos. Para o geógrafo Sebastião Clementino da Silva, o Macalé, a redução da taxa de crescimento populacional de Bauru pode ser reflexo da turbulência política-econômica enfrentada pela cidade nos últimos anos aliada ao aumento da longevidade, mas não chega a ser um fator negativo.

“Apesar de ter oito instituições de curso superior, Bauru sofreu perdas políticas nos últimos anos, como o fechamento de sedes de estatais. Isso leva quem mora aqui a sair em busca de novos horizontes e reduz o número de migrantes. Por outro lado, as pessoas estão vivendo mais, mas o período reprodutivo é o mesmo”, comenta.

Macalé ressalta que o ideal é haver equilíbrio entre o crescimento populacional e crescimento econômico para a manutenção e melhoria da qualidade de vida. “O aumento de pessoas numa localidade demanda mais empregos, serviços públicos, saúde, educação, etc. Se isso tudo não aumentar na mesma proporção, ocorrerá queda na qualidade de vida. Por isso, como Bauru sofreu perdas políticas e econômicas, essa redução no crescimento da população até ajuda a cidade a manter a qualidade de vida”, frisa.

Acostumado a proferir palestras na periferia de Bauru sobre métodos contraceptivos, o médico Sérgio Henrique Antônio acredita que dois fatores pesam na redução da taxa de crescimento populacional de Bauru. “A população carente está mais consciente dos meios de concepção e usando-os mais porque sabe que está difícil criar e educar um filho. Nas condições econômicas atuais, a população está pensando mais para ter filhos”, frisa ele que é diretor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia e do Departamento de Planejamento Familiar da Maternidade Santa Isabel.

A dona de casa Sônia Fumiko Otofuji, que tem uma filha de 12 anos, concorda. Ela e o marido decidiram não ter mais filhos porque querem dar a melhor qualidade de vida possível para Flávia. “Hoje, está difícil criar um filho, dar educação. Como a gente quer dar o melhor, então o jeito é ficar com apenas um”, diz ela, que tem sete irmãos.

A mudança de perfil de família para grupos menores não preocupa Otofuji e seu marido, que tem dois irmãos. “Os amigos substituem os irmãos. Meus pais tiveram oito filhos e agora moram sozinhos no sítio”, comenta ela.

Porém, Antônio ressalta que enquanto aumenta o percentual da população adulta que utiliza métodos contraceptivos para não ter filhos, reduz a idade para iniciação sexual. “Temos uma redução de gravidezes na população adulta e um aumento entre as adolescentes”, comenta.

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Nascimentos

O médico Sérgio Henrique Antônio, diretor de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Santa Isabel, conta que já percebeu uma leve redução no número de nascimentos ocorridos na maternidade, que gira em torno de 400 ao mês. “De uns dois anos para cá, avalio que teve uma redução pequena, de uns 2%, mas teve”, analisa.

Os cartórios de registro cíveis de Bauru ainda não notaram a redução na taxa de natalidade. Ademilson Luiz Mendes Novelli, oficial do 1.º Cartório de Registro Cível, conta que, em média, registra de 230 a 250 nascimentos por mês. “Há meses de mais registros e outros menos, mas ainda não observamos redução”, diz.

O oficial do 2.º Cartório de Registro Cível, Alexandre Antonio Matos Nascimento, também não notou redução no número de certidões de nascimento registradas. “Fazemos cerca de 160, 180 certidões de nascimento por mês, mas não temos observado alteração”, diz.

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