A estudante Jheinifer Cristina Vicente, 11 anos, foi encontrada morta no final da manhã de ontem em uma casa no bairro Cidade Nova, em Pederneiras (26 quilômetros a leste de Bauru). O mau cheiro exalado da residência na rua Domingos Matano, mobilizou a vizinhança. A vítima, que morava próximo do local em que foi encontrada morta, estaria desaparecida há alguns dias.
O imóvel pertence a Juvenal Souza Reis, que o alugava para um homem que não foi achado no local. A polícia ainda está investigando o caso, mas o homem é considerado suspeito do crime. Ontem à tarde, o delegado titular de Pederneiras, Márcio José Alves, aguardava a necrópsia do corpo para esclarecer a causa e as circunstâncias da morte.
A suspeita da polícia é que Jheinifer sofreu uma tentativa de estupro e, na luta para se desvencilhar do agressor, foi estrangulada. Reis conta que foi chamado ontem em sua casa, no mesmo bairro, por familiares da menina, que desconfiaram que ela estivesse na residência onde o corpo foi encontrado.
Ele explicou que abriu o imóvel com uma chave extra e sentiu um cheiro muito forte. Em seguida, encontrou a menina morta. O corpo estava inchado, indicando que a morte ocorreu há alguns dias. Jheinifer estava deitada de frente, sobre um colchão de espuma, e vestia uma blusa e uma bermuda, que estava desabotoada.
Reis disse ao delegado que não se encontrava com o locatário da casa há uma semana. Como a menina foi achada morta na casa em que morava, ele é considerado suspeito do crime. O delegado baseia-se, também, em conversas que teve com parentes da vítima, que disseram que ela sempre era vista com o morador da casa.
A família da Jheinifer estava desesperada, sem condições de comentar o caso com a reportagem. Até o fechamento desta edição, o delegado não tinha recebido o laudo pericial e não havia notícias do paradeiro do morador da casa, que estava sendo procurado pela polícia.
Agudos
No final de setembro do ano passado, Taís Valéria de Godoy, 10 anos, foi morta e seu corpo encontrado em um canavial, em situações semelhantes, em Agudos.
A morte chocou a cidade duas semanas depois Davi Ferreira, mais conhecido como Tiquinho, confessou o crime. Ele foi acusado de homicídio, artigo 121 que prevê pena de 12 a 30 anos, e por atentado violento ao pudor, artigo 214 com pena prevista de seis a dez anos de reclusão.
Moradores se revoltam contra a mãe
A notícia de que um corpo de uma criança havia sido encontrado em uma casa da rua Domingos Matano, em Pederneiras, atraiu uma mutidão para o local. Um tom de comoção se espalhou pela vizinhança ao se confirmar que se tratava de Jheinifer Cristina Vicente, 11 anos, e o morador do imóvel estaria desaparecido. Moradores se revoltaram contra a mãe da vítima.
Alguns familiares muito emocionados – primas e tias – queriam ver o corpo. Revoltados, não aceitavam o fato da menina freqüentar a casa de um homem estranho.
O clima entre os moradores da vizinhança estava tenso mesmo depois da mãe da vítima ter sido afastada do local e o corpo ser retirado do imóvel, por volta das 14h20. Em um determinado momento, a Polícia Militar foi acionada para evitar uma tentativa de linchamento da mãe da vítima, que estava em sua casa na rua João Serotine, próximo do local em que o corpo foi localizado.
A reportagem foi até a casa de Jeheinifer, mas a mulher conhecida pelos vizinhos como Iá, não estava mais no local. A reportagem do JC apurou que ela seria viúva e teria um outro filho. A dona de casa Zinalva Guesso, moradora próxima da residência de Jheinifer, diz que a menina era tranqüila e que brincava na rua com as outras crianças.
Ela conta que sua filha e a vítima costumavam brincar de casinha juntas. Guesso comenta que Iá a procurou anteontem à noite perguntando sobre o paradeiro da filha. Disse que a mãe demonstrou preocupação pelo sumiço da menina. A vizinha também confirmou que era comum Jheinifer ser vista na companhia do morador da casa onde ela foi achada morta.
Guesso esclarece que os vizinhos alertaram Iá sobre o fato da menina andar sozinha com um homem adulto. “A gente que é mãe fica preocupada porque não é normalâ€, disse.