Um rapaz morador de uma cidade do interior do Estado de São Paulo trabalhava em uma emissora de rádio como operador de som. Determinado horário, trabalhava com um locutor de manias esquisitas: vestia somente camisas de uma determinada cor, assim como seu automóvel, que era da mesma cor. Esse locutor odiava o rapaz por ele ser negro e evangélico.
O rapaz ficou sabendo através de outras pessoas que este estranho locutor usava as seguintes expressões ao se referir à pessoa dele: “Aquele negro..., aquele macaco...â€, e outras impublicáveis. O referido locutor, durante as férias do rapaz, depois de muitas tentativas de prejudicá-lo, colocou à direção da emissora que não seria mais possível os dois trabalharem juntos. Usou o famoso jargão: “Ou eu ou eleâ€. Vocês já podem imaginar o que aconteceu: o rapaz foi mandado embora sem justa causa. Foi a maneira mais fácil de controlar aquela situação, que já estava insustentável, pois todos na emissora sabiam que aquele senhor era racista. O racismo existe, de forma explícita ou disfarçada. Muitas pessoas fingem que o problema não existe, pois é mais cômodo. Ouço frases discriminatórias, muitas vezes maquiadas. Já falaram para minha ex-esposa: “... Você é muito bonita para ser casada com eleâ€, ou seja, muito bonita para ser casada com aquele negro.
Já ouvi pessoas dizendo: “Minhas filhas não vão se casar com pagodeiros†(para um bom entendedor...). Uma moça que se diz religiosa passa às filhas a idéia de não se casarem com p.p., como ela mesma diz: pobre e preto. O repórter J. Martins, com quem trabalhei na antiga Rádio 710, foi muito feliz em seu comentário a respeito do assunto: “Só quem passa por essa situação é que pode ter a dimensão do problemaâ€.
A polêmica toda com o argentino Desábato ocorreu porque infelizmente no Brasil a lei não é cumprida à risca. Quem já foi ou está preso por motivo de racismo neste País? A palavra de Deus diz: “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecados...†- Tiago 2:9. Terminando, gostaria de dizer que o relato narrado acima é verídico e aconteceu comigo. Tenho orgulho de ser negro, pois sou imagem e semelhança daquele que me cria: Deus. (Carlos Alberto Victor - RG 16.160.519)