Tribuna do Leitor

Direito à loucura


| Tempo de leitura: 1 min

Não sou psiquiatra, nem neurologista ou qualquer outro especialista que possa discorrer sobre as causas da loucura humana. Sou apenas um cidadão indignado, inconformado com o trato dispensado aos pacientes do Centro de Reabilitação em Saúde Mental Sebastião Paiva ou, simplesmente, “Paiva”.

A sociedade atual nos é como um fio de navalha, onde de um lado temos uma vida social produtiva e, de outro, temos a exclusão social que nos deixa a um passo da loucura. A esses excluídos da cadeia produtiva, aos quais chamamos de “loucos” ou mentalmente perturbados, pouca atenção é devotada pelos nossos governantes, pois eles têm o tempo tomado na solução de outros problemas, como as constantes rebeliões em presídios e Febem.

Penso que os verdadeiros loucos são os que acreditam em promessas de políticos que, após as eleições, não conseguem enxergar além do próprio umbigo. O “Paiva” gastava R$ 28,76 ao dia com seus pacientes. Quanto custa aos cofres públicos manter um menor infrator na Febem ou um sentenciado em presídios? Quem oferece mais gastos à sociedade: o infrator ou o louco? Qual deles teve a chance de escolher outro caminho, de ser uma pessoa diferente?

Acredito que, enquanto cidadão, é nossa obrigação lutar pela diminuição das diferenças sociais para que os excluídos tenham direito a voz e para que não se perca a dignidade humana. Amai ao próximo como a ti mesmo! Afinal, de louco todos temos um pouco.

Professor José Reginaldo Furtado - RG 14.808.646

Comentários

Comentários