O prefeito Tuga Angerami (PDT) anunciou ontem que não pretende rever a decisão de suspender temporariamente os atendimentos de urgência e emergência nos prontos-socorros (PSs) Mary Dota e Ipiranga. Apesar das críticas de vereadores e populares, ele afirmou que a medida é necessária para aprimorar o sistema público de saúde em Bauru.
“Eu não vou me acovardar no sentido de deixar de fazer o que é preciso para colocar em ordem as finanças e a saúde da cidade. Foi para isso que as pessoas me elegeram”, destacou o prefeito, ontem, logo após participar de cerimônia promovida pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).
Tuga afirmou que as unidades do Mary Dota e da Vila Ipiranga já não funcionam como PSs há muito tempo por falta de estrutura. “Essa situação é um engodo e eu não vou participar disso. Às vezes, há dias consecutivos em que não se encontra médico nesses locais”, argumentou.
Segundo ele, a prefeitura estuda mudanças na rede de atendimento. A primeira delas visa reduzir a demanda nos PSs por meio de investimentos nas unidades básicas de saúde. “Estamos consumindo 52% dos recursos com urgência e emergência, o que é errado”, analisou.
O prefeito diz que a intenção do seu governo é conceder gratificações para os médicos que atendem nas unidades básicas, a exemplo do que ocorre com os profissionais que atuam nos PSs, que recebem adicional de 125% sobre os salários. Essa seria uma forma de estimulá-los a realizar mais consultas, evitando que as pessoas tenham que se deslocar até o pronto-socorro.
“O que eu quero é recuperar as finanças de tal forma que seja elevada a remuneração de quem trabalha na atenção básica, deixando uma diferença tolerável de 25% a 30% a menos em relação à urgência e emergência, porque quem trabalha no PS não tem direito a ponto facultativo, faz plantão de 12 horas e atende situações mais estressantes, como vítimas de acidentes e pessoas baleadas”, exemplificou.
Para conceder a gratificação e aumentar a capacidade de contratação da prefeitura, Tuga também negocia com a Fundação de Previdência dos Municipiários (Funprev) a transferência de 1,8 mil aposentados que atualmente fazem parte da folha de pagamento da administração municipal.
“A prefeitura, ao invés de fazer o pagamento, faria o repasse. Se esses servidores forem para a Funprev, diminuíremos sensivelmente nosso comprometimento com a folha de pagamento e ficaremos mais distantes do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal”, apontou o prefeito.
Visita
Um grupo de vereadores contrários às alterações anunciadas pela prefeitura esteve ontem pela manhã no PS do Mary Dota para visitar as instalações da unidade. O parlamentar Paulo Madureira (PP) afirmou que os pacientes que estavam no local fizeram um apelo para que eles tentem reverter a decisão.
Mesmo reconhecendo que a questão já se arrasta desde administrações passadas, Madureira declarou que a obrigação do prefeito é solucionar o problema sem prejudicar a população atendida nos dois PSs. Segundo o parlamentar, o grupo de vereadores visitará o PS Ipiranga hoje pela manhã.
Durante a tarde, os parlamentares pretendem se reunir com a secretária municipal da Saúde, Tereza Faifer, para discutir o assunto. “Será que o PS Central vai suportar o aumento de demanda? Não vai ficar mais caro para a prefeitura levar os pacientes de ambulância até lá? São questionamentos que queremos fazer para ela”, comentou Madureira.
A Comissão de Meio Ambiente, Higiene, Saúde e Previdência da Câmara também convocou Faifer para participar de audiência pública agendada para o dia 1 de junho, às 10h, na sede do Poder Legislativo. No PS Mary Dota, os vereadores chegaram a discutir com o diretor de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal da Saúde, Aigiro Kamada.
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Atendimento
A data em que os atendimentos de urgência e emergência serão temporariamente suspensos nos pronto-socorros (PSs) Mary Dota e Ipiranga ainda não foi definida, mas o esquema de funcionamento que essas unidades passarão a adotar já está traçado.
O prefeito Tuga Angerami (PDT) reafirmou ontem que a intenção é oferecer consultas até as 19h. “A partir desse horário, qualquer cidadão que mora na região do Mary Dota e Vila Ipiranga entrará em contato com as unidades por telefone. Ele descreverá a situação para um médico, que tomará a decisão de enviar uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou uma ambulância comum para fazer o deslocamento até os PSs Central ou Bela Vista”, explicou.
Tuga reforçou que não irá cortar a gratificação de 125% dos funcionários das duas unidades que deixarão de atender como PS. “Há uma enorme angústia dos servidores em perder o benefício e eles têm razão, porque já aprenderam a viver com esses valores”, argumentou.
A prefeitura vai promover concurso público para contratar 75 médicos. Durante o governo Nilson Costa, porém, nem todas as vagas abertas foram preenchidas. Muitos profissionais aprovados no processo seletivo alegaram que os salários não eram atrativos e não assumiram os cargos.