Tribuna do Leitor

Prontos-socorros


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O ser humano perdeu a noção de sua fragilidade e insignificância, pois do contrário seria mais fraterno, solidário, mais benevolente, compassivo, mais humano. Tudo está nas mãos de gente insensível. Ministros ladrões, presidentes coniventes, governantes estaduais e prefeitos apáticos, todos fora de sintonia com as reais necessidades da população. Todos dizem: saúde em primeiro lugar, independentemente de condição social, raça ou credo. Saúde é o que interessa. Entre uma montanha de dinheiro ou qualquer bem valioso em troca de saúde, qualquer vivente normal vai preferir saúde.

O dinheiro público roubado não deveria ser confiscado e investido na construção de prontos-socorros em todos os municípios brasileiros? Claro que sim. Pronto-socorro devia ter um em cada bairro, com os políticos trabalhando para minorar o sofrimento da população, e não trabalhando com dedicação mais extremada em seus negócios particulares. Ao invés de concentrarem esforços e energia para melhorar o que temos e implantar outros e cada vez mais e melhor objetivando uma situação sanitária mais aceitável, o que vemos é o descalabro promovido por mentes despreparadas, e que vem num crescendo.

Querem transformar as cidades em campos de concentração disfarçado. Aliás, quem mata mais? Aids ou político? Câncer ou político? Político mata mais que aids e câncer juntos. Exceções? Raras. Como disse o Hesso Maciel em seu artigo nesta Tribuna, “o monstro-sapiens mata por ambição, vingança, egoísmo, ignorância, ganância, etc.”. Não sabem o que é dor, não sabem o que é depender de um pronto-socorro, porque têm seus convênios médicos, e são atendidos imediatamente. Quem disse que o branco se livrou da casa-grande?

O pobre é escravizado, sem muita consciência disso, porque se não estaríamos já em guerra civil. Somos pacíficos. Agem como se não houvesse dor, sangue, acidentes, nem velhinhos e velhinhas, como se os exames médicos estivessem sendo feitos no mesmo dia e fosse tudo muito fácil, sendo que se a coisa ficasse um pouco mais complicada não ia modificar nada em nada. Além de nada melhorar com o passar do tempo, não sei como conseguem piorar, agravar a situação ainda mais com perspectivas sombrias, as quais me recuso a aceitar. O ser humano precisa de um novo padrão de consciência. O que temos é uma intelectualidade abastada, medíocre e desumana.

Júlio Diogo - RG 13.913.837-7

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