Pesca & Lazer

Em busca de grandes aventuras

Por Roberta Mathias | Com Roberto Ferrario
| Tempo de leitura: 5 min

Roberto Ferrario é um italiano de 32 anos apaixonado por pesca. Em suas aventuras, já visitou Costa Rica, Canadá, Zâmbia, Zimbabwe, Tanzânia, Namíbia, Portugal, Tailândia, Egito, Senegal, Inglaterra, Finlândia, Noruega e agora se prepara para conhecer o Brasil.

De 5 a 11 de novembro, Ferrario estará em Tocantins para pescar em Palmas e Formoso do Araguaia, acompanhado de Ezequiel Theodoro da Silva, editor da Revista Virtual Pescarte, e do guia Alexandre Roberto. Vamos ver como será o desempenho do pescador com os predadores brasileiros. Afinal, o nosso País reserva muitas aventuras aos amantes da pesca.

A partir desse interesse pela pescaria, Ferrario pesca cerca de 100 dias por ano e tornou-se colaborador em várias revistas de pesca internacionais na Europa, África, Américas do Sul e do Norte e Ásia. Nesta edição do Pesca & Lazer, aproveitamos seu artigo, traduzido para o português por Ezequiel Theodoro da Silva, para conhecer a pesca do peixe-cabeça-de-cobra gigante, na Tailândia.

“Quando, há alguns anos, descobri o peixe cabeça-de-cobra em uma revista de pesca de Singapura, fiquei imediatamente extasiado e fascinado em relação à espécie. Pensei então que, tão logo descobrisse um bom lugar na Ásia, eu deveria organizar uma viagem de pesca com o objetivo de conhecer o cabeça-de-cobra. Pesquisei na Web e verifiquei que havia uma possibilidade de fazer uma viagem a uma área remota da Tailândia. Não perdi tempo e planejei a minha viagem para lá.

Mas que peixe é este?

O cabeça-de-cobra gigante é o maior representante do gênero cabeça-de-cobra Channa (anteriormente Ophicephalus). É um peixe extremamente esportivo e popular por sua carne. É avidamente perseguido em vários países asiáticos pelos pescadores locais. Existem muitas lendas dizendo que os cabeça-de-cobra gigantes crescem a tamanhos absurdos e atacam e comem seres humanos, mas não existem evidências científicas.

Os grandes cabeças-de-cobra são peixes solitários que habitam área de vegetação densa. As árvores submersas são o lar ideal para um peixe adulto. Eles permanecem escondidos no fundo na maior parte do dia, emergindo somente para comer e raramente nadam em águas médias. Igual a todos os cabeças-de-cobra, eles são forte predadores; pequenas presas como peixinhos e sapos são engolidos num só golpe.

O cabeça-de-cobra é um peixe que adora o fundo do lago, mas é irremediavelmente atraído pela vibração e barulho na superfície; assim, toda imitação de peixe, sapo que nada na superfície e produz ruídos, será a isca perfeita para esse predador. As melhores iscas são sempre os poppers de superfície.

Existem dois tipos diferentes de técnicas para esse peixe: a primeira é a clássica técnica do “spin”, ou seja, arremesso da isca em zonas onde achamos que o peixe pode estar esperando por uma presa. A segunda é, para mim, mais excitante porque é como caçar o peixe. Mas antes de relatar como funciona, você precisa saber que o cabeça-de-cobra, depois de desovar, permanece no local para patrulhar os ovos e os alevinos, depois que nascem. O peixe geralmente fica ao lado deles por algumas semanas.

Eles demonstram grande determinação e agressividade na defesa dos seus filhotes. Há relatos de pessoas severamente mordidas pelos cabeças-de-cobra. Os filhotes permanecem junto em cardumes por cerca de seis meses antes de se separarem e se tornarem auto-suficientes e eventualmente territoriais.

A cor desses pequenos peixes é preta no início, mas em poucos dias se torna vermelho-fogo. Esses pequenos cabeças-de-cobra nadam na superfície num cardume compacto e dessa forma podem ser facilmente vistos. Por debaixo do cardume fica sempre a fêmea e às vezes também o macho. A fêmea é mais agressiva.

A técnica consiste em navegar lentamente até encontrarmos o cardume colorido e então aproximar-se com a ajuda de um motor elétrico, de modo a não amedrontar os peixinhos; do contrário, ouvindo algum barulho, eles imediatamente nadam para o fundo. Nesse ponto, você pode começar a arremessar por cima do cardume.

Podemos ter duas reações do peixe: um ataque imediato à nossa isca ou uma total indiferença. No segundo caso, devemos começar a arremessar e recolher bem depressa de modo a “enervar” o cabeça-de-cobra. Às vezes é necessário arremessar por 20 minutos ou mais antes que o peixe, agora exausto, ataque o popper barulhento. Por vezes o peixe erra a isca ou pula para trás, e não morde. Um dia, uma grande fêmea atacou a minha isca umas 13 vezes antes de eu seu capaz de fisgá-la.

O melhor da pesca com isca de superfície é que os ataques são sempre espetaculares com saltos do peixe por debaixo da isca. É realmente muito empolgante ver o peixe correr freneticamente atrás da isca e depois fazê-la desaparecer da límpida superfície da água; poucos segundos e o peixe começa a tomar linha de maneira impressionante.

O cabeça-de-cobra tem uma boca muito dura, por isso, é necessário fisgadas fortes de modo a fazer penetrar as garatéias. Usei uma vara Shimano “Technium” 20-60 gramas associada com uma poderosa carretilha com 100 metros de linha Dyneema 40 lb. A linha precisa ser bem resistente porque a primeira coisa que o peixe faz depois de fisgado é mover-se imediatamente para o fundo para encontrar uma árvore ou uma pedra e se proteger. Dessa forma, é necessário parar imediatamente a sua poderosa corrida.

Durante a minha experiência no Lago Kaho Leam, as condições da água não estavam perfeitas em função da cheia. Por isso, tivemos que pescar com a técnica de ver o peixe. De qualquer maneira, tivemos boas ações, com vários ataques em toda nossa pescaria. Os grandes cabeças-de-cobra atacaram várias vezes, porém, nós perdemos os maiores. O peso máximo ficou entre cinco e seis quilos.

A pescaria foi certamente mais do que positiva - eu pesquei em alguns lugares onde o peixe nunca tinha sido visto. O lago é completamente selvagem com grande quantidade de todos os tipos de peixes. Eu retornarei para lá, não tenham dúvida!”

Comentários

Comentários