Uma pessoa pode morrer ou um incêndio de grandes proporções pode ter socorro atrasado por conta de trotes registrados no Centro de Operações do Corpo de Bombeiros de Bauru. Segundo o tenente Adilson Reis, oficial responsável pela sessão de operações do grupamento, das cerca de 600 ligações recebidas diariamente pela unidade, cerca de 200 são trotes.
Em sua maioria, são crianças em horário de entrada ou saída das escolas que se utilizam de orelhões para acionar os bombeiros. A brincadeira de mau gosto também é feita por garotos e garotas através de telefones da própria casa. Nesse caso, os militares detectam o número do telefone através da bina e retornam a ligação para conversar com os pais.
“Geralmente retornamos a ligação à noite com o objetivo de conversar com os pais. Alguns deles não acreditam que seus filhos vivem dando trote no bombeiros. Pedimos para que conversem e orientem as criançasâ€, explica Reis. Ele ressalta, porém, que em alguns casos as crianças agem de boa-fé ao avisar sobre ocorrências reais.
O tenente conta que os militares que trabalham no Centro de Operações identificam com facilidade quando um telefonema é trote. “Eles conversam com a pessoa, pedem detalhes, informações complementares que acabam resultando na confirmação do troteâ€, conta.
O autor da brincadeira pode ser enquadrado no Código Penal, que no seu artigo 340 prevê detenção de um a seis meses para o infrator. Recentemente, foi lavrado um Boletim de Ocorrência envolvendo pessoas adultas em trotes.
O Centro de Operações recebeu um telefonema no qual foi informado que um supermercado localizado no Parque Jaraguá estava pegando fogo. As viaturas foram deslocadas para o local. Chegando lá, constatou-se que era um trote. Mas como havia uma festa, os autores, visivelmente embriagados, foram identificados e agora serão indiciados de acordo com o que prevê o Código Penal.
“Tivemos também um outro trote envolvendo adultos. Ligaram dizendo que uma carreta que estaria transportando álcool estava pegando fogo num posto na rodovia Marechal Rondon, nas imediações do cruzamento com o viaduto da avenida Rodrigues Alvesâ€, conta.
Ele lembra que, por se tratar de fogo em combustível, os caminhões foram deslocados rapidamente até o local. â€œÉ um tipo de ocorrência em que não se pode perder tempo porque o álcool é de fácil combustão. E tínhamos a informação de que o incêndio estaria ocorrendo num posto, o que poderia complicar a situação. Chegando lá, verificamos que se tratava de um troteâ€, comenta.
Na avaliação de Reis, situações como essa podem provocar danos irreparáveis a pessoas inocentes. “Podemos ter uma ocorrência real paralela ao trote e ficarmos sem viaturas para o atendimento. Já tivemos casos em que familiares do próprio autor do trote precisaram de atendimento do bombeiros no mesmo momento e foram prejudicados porque não havia viaturas disponíveisâ€, relata.