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Reinventando a roda


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Neste final de maio, vão se confirmando as expectativas de desaquecimento da atividade econômica, com a divulgação dos dados sobre o aumento do desemprego em São Paulo pelo quarto mês consecutivo e pela primeira vez no ano uma forte redução das vendas em supermercados. Caiu também o ânimo de investimentos na indústria, de acordo com a última Sondagem Conjuntural da FGV divulgada esta semana. A desaceleração da produção industrial no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, em todo o Brasil, é comprovada pelo IBGE que apurou um ritmo de crescimento de apenas 3,9%. É apenas 1/3 do ritmo de crescimento do setor industrial no ano anterior.

Logo teremos as primeiras estimativas oficiais de expansão do PIB no primeiro trimestre e é possível que o governo tome um susto ao perceber que a taxa anual de crescimento da economia está em torno de 3,3%, o que representará um grande fracasso diante do crescimento de 5,2% do ano passado. Não existe nenhuma justificativa para este corte no crescimento, produzido por uma política monetária errática que apenas nos faz perder Produto, com resultado provavelmente nulo em relação à redução da inflação. Uma política que está prejudicando os investimentos no setor exportador, justamente temeroso diante da sustentação de um real sobrevalorizado que só traz alegria e lucros fantásticos aos setores financeiros, que deitam e rolam com as margens de arbitragem oferecidas pelo diferencial dos juros internos e externos.

No início do governo Lula, parecia que o Brasil tinha tomado consciência que a retomada do crescimento dependia de uma profunda mudança de procedimentos em relação ao comércio exterior. Era preciso garantir ao setor privado que o governo estaria mobilizado para dar estímulos permanentes aos investimentos destinados a ampliar as exportações. Uma das iniciativas mais importantes era a efetivação das ZPEs, as zonas de processamento de exportações, que dependia da aprovação de projeto de lei que tramitava há vários anos no Congresso, sem despertar o menor interesse do governo anterior.

O novo governo demonstrou um interesse inicial de ajudar na sua aprovação, pois a instalação das ZEPs - como acontece em dezenas de países agressivos no comércio exterior, dentre os quais China e Estados Unidos - têm a capacidade de alavancar as atividades exportadoras de forma definitiva, atraindo investimentos e aproveitando de forma eficiente as vantagens comparativas que cada região oferece. Dois anos se passaram, os ministérios incumbidos de coordenar a aprovação do projeto bateram cabeça todo o tempo, demonstrando a mesma incapacidade dos seus similares tucanos. Para completar, às vésperas da viagem à Coréia e Japão, o governo anuncia bombasticamente como se estivesse inventando a roda, que “pensa editar” uma medida provisória para possibilitar a instalação das ZPEs. Tem toda a aparência de propaganda enganosa, pois com um mínimo esforço de coordenação política pode-se aprovar rapidamente o projeto de ótima qualidade que já foi amplamente discutido e aperfeiçoado no Congresso.

O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP e professor emérito da USP. E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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