A informação de que a partir do dia 5 os ônibus passarão a circular sem cobradores de segunda-feira a sábado após as 20h e nos domingos e feriados durante todo o dia surpreendeu o estudante de filosofia Augusto Fernando Trombini. Embora não use o sistema de transporte coletivo diariamente, na opinião dele, as linhas que atendem estudantes ficarão congestionadas.
Mas se a previsão dele se concretizar, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) poderá revogar a decisão de suspender o trabalho dos cobradores nas linhas mais concorridas. A ponderação da empresa vem ao encontro de solicitação do Conselho dos Usuários do Transporte Coletivo.
“Às 20h tem muita gente que entra (para a aula) e tem também muito trabalhador. O mais adequado seria (tirar o cobrador) a partir das 21h. O motorista deve demorar muito para fazer troco”, diz Trombini. O desfecho para o eventual problema partirá de monitoramento a ser realizado, reitera do diretor de transportes da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior.
“Vamos avaliar passo a passo. A partir das 20h a queda (de passageiros) é gritante. Não tenho a menor dúvida de que é um conforto (a presença do cobrador), mas são horários de baixíssima demanda”, enfatiza. De acordo com ele, a medida está elencada entre outras implementadas para diminuir o custo do sistema, que é de R$ 4 milhões ao mês, sendo 60% despendidos só com mão-de-obra.
A suspensão da função de cobrador nos períodos anunciados tornou-se sinônimo de desoneração porque as empresas deixarão de pagar cerca de duas horas extras diárias por cobrador de linhas noturnas. O valor da economia, no entanto, não foi informado. “Nós também buscamos condições para baratear o sistema e vamos acompanhar de perto para não haver dificuldades ao usuário”, diz o presidente do conselho, Rubéns Roberto Rodrigues de Souza.
Na opinião dele, a nova medida pode evitar aumento de tarifa ou, talvez, reduzir o impacto de uma eventual alta. Apesar dos argumentos, a novidade ainda é encarada com receio pelas universitárias Daniela Palma Oura e Franceilma Bernardino de Oliveira. Elas são unânimes ao afirmar que a medida deve atrapalhar porque, atualmente, o motorista sai com o veículo enquanto os passageiros passam pela catraca. No momento da entrevista, uma delas ainda aguardava o troco.
No ônibus, que segundo o cobrador não saiu do ponto final lotado por causa do horário, quase 100% dos usuários consultados pagaram em dinheiro. Numa rápida passagem pela avenida Rodrigues Alves, de 24 pessoas que aguardavam circulares nos pontos de ônibus, 11 disseram que pagariam em dinheiro, 11 em cartão e o restante em passes. De acordo com a Emdurb, 65% dos usuários usam cartão eletrônico.