Tribuna do Leitor

"A chaga que nos cerca"


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É de conhecimento geral que o Brasil foi invadido pela chaga da violência. Mas essa doença inédita na dimensão e brutalidade tende a fomentar se nenhuma providência for tomada.

Inquestionavelmente, a proporção do problema é tão grande e possivelmente aumentará que as polícias Militar, Civil e Federal não conseguem mais evitar o extermínio delas,apenas combatê-la em alguns casos.

É preciso, também, que medidas governamentais sejam tomadas para que possamos ficar seguros, que essa enfermidade não venha nos atingir, pois essa doença tem seu hospedeiro e intermediário notórios. Suas conseqüências - todos sabemos - são ceifar vidas.

O ponto nevrálgico é que com essa insegurança gastamos milhões e milhões com profilaxias, mas nada que contenha o medo de ficar protegido é bom para nós, afinal, gastamos com segurança em vez de gastar para prevenir o que nos preocupa.

Indiscutivelmente temos que ressaltar o fato de que as atuações dos governos voltada para a área de segurança tem sido de um modo geral desastrosas, quando se trata de prevenir o crime.

Talvez seja correto parar para pensar que tratar mal os pobres é um mau negócio. Haja vista os gastos anuais em seguros contra roubos mais a folha de pagamento de guardas de segurança (R$ 6,4 bilhões) dariam para construir quase meio milhão de casas para os pivetes e gatunos que nos ameaçam. Juntem-se a isso que os gastos com equipamentos de segurança (150 milhões por ano ) dobrariam o que gastamos para lutar contra malária, dengue, febre amarela e doença de chagas.

Cada preso custa ao Estado R$ 700 por mês. Péssimo negócio, pois no projeto Curumim (MG ) com R$ 500 por ano se mantém feliz e fora da rua um potencial pivete. Sustentar a população carcerária custa o mesmo que a merenda escolar distribuída pelo MEC em todo o país.

Se o valor de 40.000 armas vendidas fosse gasto em saúde, preveniria a morte de 40.000 pessoas.

Somando o que gasta o setor privado para lidar com a violência, chegamos próximos ao orçamento federal para a área social. Resta alguma dúvida de que algo precisa ser feito urgentemente?

Em face dos argumentos apresentados, fica portanto evidenciado que a chaga da violência que nos traz problemas econômicos é fruto de um erro social. (Fernando Manfrin Garcia - RG : 44.436.437-7)

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