O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, é marcado por eventos e atividades em muitos países, inclusive no Brasil. Em Bauru será realizada, no Recinto Mello de Moraes, a 6.ª Semana Integrada do Meio Ambiente, que tem início nesta terça-feira, dia 31, e vai até o dia 5.
Em todo o planeta, muitas das discussões que ocorrem neste período lançam alertas preocupados com o futuro da humanidade, pois tudo o que fazemos reflete direta ou indiretamente no meio ambiente. O curioso é que o assunto é recente, mas é tão importante, que sempre está em pauta. O pouco caso com o meio ambiente faz muitos estragos no planeta, que encontra dificuldades em se recuperar. Se você pensar no tempo que uma árvore demora para se desenvolver e gerar frutos e comparar com o tempo que é gasto para derrubá-la, perceberá que é bastante desproporcional. Em instantes a árvore está no chão, mas seu crescimento pode levar décadas.
Mas é muito difícil o desenvolvimento sem que haja interferência no meio ambiente. É impossível imaginar a vida sem o conforto da energia elétrica e do transporte, por exemplo. Você já parou para pensar que tudo, ou quase tudo, que usamos precisou de energia para ser produzido e combustível para ser transportado? E de onde vêm e o que são essas fontes energéticas? Para ter acesso às fontes de energia - o que inclui os combustíveis, pois são fontes de energia também -, a natureza foi transformada, degradada, contaminada e em muitos lugares destruída.
O professor de engenharia Mecânica Gilberto De Martino Jannuzzi, da Unicamp, explica que o sistema energético compreende as atividades de extração, processamento, distribuição e uso de energia e é responsável pelos principais impactos ambientais da sociedade industrial. “Seus efeitos nocivos (prejudiciais) não se restringem ao nível local onde se realizam as atividades de produção ou de consumo de energia, mas também possuem efeitos regionais e globais.” Um dos efeitos citados pelo professor é o derramamento de petróleo nos oceanos, que pode atingir grandes áreas. Ele também comenta os impactos causados, como as alterações climáticas devidas ao acúmulo de gases na atmosfera (efeito estufa), e a erosão da camada de ozônio por causa do uso de CFCs (compostos com moléculas de cloro-fluor-carbono) utilizados em equipamentos de ar condicionado e refrigeradores.
O que é fonte energética?
Tudo o que produz energia é uma fonte energética. O alimento, por exemplo, é a fonte energética para que possamos andar, correr, brincar, pensar e praticar qualquer atividade física e mental. Normalmente, a energia é transformada para que possa ser usada. No caso do alimento, o nosso corpo é a “usina” que processa a comida e transforma em força. Mas quando precisamos ligar o chuveiro para tomar banho, a até a energia elétrica chegar lá, o caminho foi longo. O rio foi represado, uma barragem foi construída com turbinas para transformar a força do rio em energia hidrelétrica, que é transportada em cabos até as cidades, residências e indústrias.
O impacto causado pela construção de uma usina hidrelétrica é muito grande, pois exige que grandes áreas sejam alagadas para alimentar as turbinas. Muda o ambiente do rio, os animais perdem seu habitat natural, muitos peixes brasileiros que se reproduzem na piracema, não conseguem subir o rio e procriar. O impacto é enorme. Hoje, até a construção de barragens é feita de forma diferente. Antes de qualquer ação, é necessário apresentar um estudo de impacto ambiental, que vai estudar direitinho o que a instalação da barragem irá causar. Dependendo dos impactos, a construção é aprovada ou não.
Problemas antigos
Mas não é de hoje que o homem transforma e deforma o meio ambiente. Ao descobrir o fogo, enquanto ainda vivia em cavernas, o homem começou a modificar o planeta e não parou mais. Os problemas são muitos, desde a destruição da camada de ozônio, poluição do ar, rios e mares, degradação da fauna e da flora e hoje escutamos até falar em “biopirataria” – um termo que foi usado pela primeira vez em 1993 para alertar sobre recursos biológicos e conhecimento indígena que estavam sendo apanhados e patenteados por empresas multinacionais e instituições científicas.
Além disso, é preciso lembrar que muitos recursos naturais usados como matéria-prima e fonte de energia não são renováveis, ou seja, acabou, acabou. O petróleo é o principal recurso energético usado no mundo inteiro e que deverá acabar nos próximos anos.
Aí entra a pesquisa científica, que busca formas alternativas de produzir energia para substituir as fontes esgotáveis e, principalmente, fontes que sejam renováveis e menos agressivas ao meio ambiente. Mesmo a energia solar ou a eólica, que não devem acabar, causam impactos ambientais na fabricação das tecnologias capazes de extrair a energia.
Combustíveis
Até bem pouco tempo, quando uma pessoa estacionava em um posto para abastecer seu veículo, as opções eram restritas a óleo diesel e gasolina, que são produzidos a partir do petróleo. Há 30 anos, o Brasil iniciou um programa para investir em um combustível nacional e criou o Pró Álcool. O combustível é usado até então – hoje há carros flex (gasolina ou álcool) – e é uma fonte renovável, fabricado a partir da cana-de-açúcar.
Agora existe também o pró óleo, que incentiva a produção de óleo diesel a partir de sementes. Então, o diesel que antes era fabricado só com petróleo, agora é feito com semente de mamona, de dendê e de outras sementes. Mais uma alternativa para substituir o petróleo, que corre o risco de acabar.
E a pesquisa científica não pára. Há veículos movidos a gás natural, uma fonte energética não renovável, energia elétrica e até carro movido a energia solar. O problema dos países é aliar o custo da tecnologia e do combustível com o menor impacto ambiental. Realmente um problemão!
O que vem ocorrendo, principalmente às pesquisas desenvolvidas por universidades e institutos científicos, é a ampliação de fontes de energia, como alternativa para cada país ou região. Isso porque algumas fontes podem ser mais indicadas para a região nordeste e desaconselhadas para outro local. O que ocorre, por exemplo, com a energia eólica, que precisa de ventos constantes para produzir energia. A solar também enfrenta o mesmo problema.
Então, o que fazer?
Os desafios para se continuar a expandir as necessidades energéticas da sociedade com menores efeitos ambientais são enormes. O professor Jannuzzi explica que é praticamente impossível eliminar os impactos ambientais de sistemas energéticos. “O trabalho dos cientistas e analistas de energia é, na verdade, oferecer alternativas de escolhas para a sociedade e facilitar seu acesso a esse tipo de informação.” Só que problema energético não se reduz a uma escolha entre tecnologias para atender à crescente necessidade por energia. A discussão é ampla, pois envolve também o sistema urbano, as atividades econômicas e estilos de vida. “Somente com mudanças nessas áreas será possível maior utilização de tecnologias mais limpas e eficientes, fontes renováveis e descentralizadas.”
Como foi comentado no início, quase tudo o que consumimos exige energia e a produção de energia causa impacto no meio ambiente. O desafio é buscar fontes energéticas menos agressivas para um futuro com menores impactos ambientais.