O motociclista Wisleicácio Lima Freitas, 28 anos, morreu anteontem à noite ao bater em um caminhão estacionado em uma rua do Parque Viaduto, em Bauru. Na madrugada de sábado, dois jovens perderam a vida ao colidir com uma Scania no Centro da cidade. As duas fatalidades reforçam um dado revelado pelas estatísticas dos acidentes de trânsito com moto na área urbana de Bauru: a moto está presente na maioria deles. Neste ano, das nove mortes, sete envolveram motocicleta, ou seja 78% dos casos.
Morreram três condutores de moto, uma passageira e três pedestres que foram atropelados por motocicleta, segundo estatística da Polícia Militar (PM). Em 2004, das 25 pessoas que perderam a vida no trânsito de Bauru, 12 foram em acidentes envolvendo motocicleta. Diante do quadro, a recomendação do tenente Fabiano Serpa, comandante da Base de Trânsito da PM, aos motociclistas é que sejam mais prudentes e sigam as normas de direção defensiva.
Ele ressalta que motocicleta é um veículo seguro, econômico e proporciona sentimento de liberdade, mas exige cuidados redobrados na direção. “Falta prudência para boa parte dos condutores. A moto, só pelas suas características, já é um veículo ágil, rápido, mas tem condutor que ainda abusa da velocidade. É um veículo que deixa o condutor e o passageiro mais expostos em caso de acidente e por isso exige cautela a mais”, frisa.
Serpa lista três infrações de trânsito comuns entre motociclistas em Bauru: excesso de velocidade, conversão proibida e avanço ao sinal vermelho ou placa de “Pare”. Na opinião do tenente, a maioria das mortes envolvendo motos ocorridas na cidade poderia ser evitada caso o veículo estivesse em velocidade menor. “O acidente iria ocorrer, mas o resultado seria menos trágico”, ressalta.
Concorda com ele o professor de educação física Júnior Balestero, que sofreu acidente de moto há cerca de um ano. “Atropelei um cachorro - ou o cachorro me atropelou -, cai da moto e fui arrastado por vários metros. Os ferimentos foram leves, mas fiquei 15 dias sem trabalhar. Continuo com a moto, que é um veículo ágil, mas o acidente serviu para eu triplicar o cuidado na direção”, sustenta.
Após o acidente, Balestero passou a orientar os amigos e colegas sobre os riscos da moto e pedir mais prudência na direção. “Outro dia um professor aqui da academia comprou moto e eu conversei com ele sobre os riscos. Eu coloquei na cabeça que moto é para economia e não rapidez, porque rápida ela já é”, diz ele, que afirma respeitar as regras de trânsito.
A PM desenvolve, há anos, cursos de direção defensiva e atividades específicas para orientar o motociclista sobre regras de segurança. Mas o tenente Serpa avalia que a adesão aos cursos preventivos ainda é baixa. “Oferecemos o curso o ano inteiro, atendendo os motoristas em geral e as empresas”, explica.
Entre as medidas de segurança que devem ser seguidas pelos motociclistas estão: obedecer a velocidade estabelecida pela via e a sinalização de trânsito, ligar o farol baixo durante o dia (à noite é obrigatório), usar capacete corretamente ajustado à cabeça e vestir, à noite, roupas claras para facilitar a visibilidade.
• Serviço
A Polícia Militar recebe inscrição para o curso de direção defensiva pelo telefone (14) 3234-7622.