Garça - Alguns presos da Cadeia Pública de Garça (70 quilômetros a noroeste de Bauru) realizaram ontem um motim reivindicando visitas íntimas e transferência para presídios. O carcereiro Mário Sérgio Moreira de Oliveira foi rendido pelos detentos às 9h, no momento em que abria as celas da ala “A” para o banho de sol.
Durante quase três horas, ele ficou sob a ameaça de alguns presos confinado em um xadrez. Eles ameaçavam o carcereiro com um prego grande e produziram estiletes falsos com papel alumínio de marmitex.
O motim não envolveu toda a cadeia que tem 58 presos, divididos em dois blocos de celas. Os detentos que deflagaram o motim não conseguiram abrir a ala “B”. Oliveira foi libertado por volta da 11h30. PMs ficaram de prontidão na área externa da cadeia. Os presos ameaçaram atear fogo em colchões e promover quebra-quebra.
O promotor público Isauro Pigozzi Filho negociou os termos da rendição junto com o delegado Ricardo Luiz de Paulo Martines e o diretor da cadeia, Valdir Tramontini.
No período da tarde de ontem, a juíza corregedora Patrícia Soares de Albuquerque recebeu o grupo. Conforme a juíza, a reivindicação de visitas íntimas não será atendida porque a cadeia pública não oferece condições. A solicitação de transferência já estava sendo providenciada pelo delegado Martines, que previa problemas.
Os presos Anderson Luiz de Souza, Luciano Henrique Cunha e Cícero Aparecido dos Santos serão transferidos, porém, para presídios diferentes. Rafael Hira será encaminhado para a Cadeia Pública de Pompéia para uma triagem e depois para um presídio. A juíza, que assumiu a corregedoria da cidade ontem, acrescenta que um outro preso também deverá ser transferido.
Conforme Albuquerque, esses quatro presos lideraram o motim. Santos, Cunha e Souza cumpriam pena em regime semi-aberto e no início deste mês foram presos em flagrante por posse ilegal de armas.
A reportagem do JC apurou que Hira teria sido condenado recentemente por tráfico de drogas. Santos cumpria pena por homicídio e cinco roubos. Cunha por dois roubos e Souza por tentativa de homicídio, três roubos e porte ilegal de arma.
Em setembro de 1999, a Cadeia Pública de Garça teve sua última rebelião, com fuga de 23 detentos. O prédio foi interditado e reformado. Hoje a cadeia tem capacidade para 36 presos.