O PIB brasileiro de R$ l,769 trilhão posiciona o País no 12.º lugar no ranking das economias mundiais, porém, somos o 39.º em renda per capita, posição bem desfavorável em relação a 1988, quando o Brasil se posicionou como a 8.ª economia do mundo. A pergunta é: O governo atual melhorou a vida dos brasileiros, cumpriu suas promessas de campanha? Claro que não! O leitor, então, me diria: Como explicar que as pesquisas demonstram um índice de aceitação do presidente de 62%? No entanto, não vêem que o índice de reprovação, regular, ruim e péssimo do governo juntos, somam os mesmos 62%. Como pode ser? Bem, aí é que está a competência do presidente.
Enquanto se critica e fala-se mal da Previdência (PMDB) e do Banco Central (PSDB), o presidente viaja no aerolula pelo País e para o Exterior, escuda-se no populismo barato, participa de feira de gado e festa da uva. De sua base no Planalto, lança falsos programas e inaugura novas instalações de empresas privadas. Faz discurseira, com bordões e chavões, para platéia de agricultores e sindicalistas; beija velhinhos e crianças; vai a velório, aniversário e nascimento de neto; reforma seu palácio; usa ternos, sapatos e gravatas de marca; joga futebool; fuma charutos cubanos; faz churrasco na Granja do Torto, dispara metáforas e pede à população paciência. Portanto, fica longe das promessas ou bravatas como já as rotulou.
O espetáculo do crescimento se transformou numa desilusão. Não há uma grande obra. Não há um projeto de País. Há uma nítida sensação de que o PT não tinha um sonho de governo. A carga tributaria brasileira segue sendo a maior do mundo, 35%; a taxa de juros, de 18%, é o maior do mundo, fazendo a festa do capital especulativo; o desemprego brasileiro é de 22%, o maior do mundo. Mas nem tudo é desilusão. Na Previdência Social, três ministros em três anos. Uma reforma, depois de outra, para reduzir o déficit, que só cresceu e vai chegar aos R$ 100 bilhões no período de 2003 a 2005.
A Previdência é o órgão do governo mais em evidência. Primeiro, pelo suposto déficit. Segundo, pelo número de segurados (30 milhões) e o número de beneficiários (23 milhões). Terceiro, por ser a maior seguradora do mundo e a maior distribuidora de renda. Seu problema é a má gestão. Ela já resistiu a 21 CPIs e a saques de R$ 1,5 trilhão (US$ 500 bilhões).
Tínhamos um sonho, mas o sonho, como querem alguns, de um Brasil melhor, ainda não acabou. Agora, temos 175 milhões torcendo e sonhando para que o pesadelo tenha fim e a gente volte a sonhar.
O autor, Paulo César de Souza, é vice-presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social - ANASPS