No dia 5, amanhã, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. Como acontece todos os anos, o tema gera discussões na mídia, mobiliza entidades civis organizadas e é mote de milhares de eventos em todo o mundo. É uma data em que aumenta a discussão sobre temas importantes, como a defesa da água, os efeitos da poluição, a derrubada de florestas e a herança perniciosa da destruição para as gerações futuras. Não é novidade que as previsões são sombrias, com efeitos catastróficos a médio e longo prazo, caso não sejam tomadas medidas realmente efetivas contra as agressões.
A natureza já emite sérios sinais de cansaço por causa da ação predatória. O clima não é mais o mesmo, a água se torna cada vez mais escassa e as catástrofes naturais, por incrível que pareça, começam a fazer parte do cotidiano da humanidade. Nem o Brasil, que tanto se orgulhava da suposta imunidade às grandes tragédias da natureza, está livre de problemas. Basta lembrar as enchentes que aterrorizam as grandes regiões metropolitanas, a seca no Sul do País e os furacões que atingiram recentemente as regiões Sudeste e Sul.
Logo, o Dia do Meio Ambiente não deve passar como uma data qualquer. Mais do que uma mera reflexão sobre as grandes questões ambientais, é necessário que cada pessoa pare um minuto e pense no que ela pode fazer pela defesa e preservação da natureza. Para isso, não é necessário se engajar em grandes causas. Basta que cada um cumpra sua parte, na sua casa ou na sua comunidade. Imagine, por exemplo, se cada habitante da terra resolvesse, em algum momento da sua vida, plantar uma árvore, em frente à sua casa ou no seu jardim. Teríamos algo em torno de 6 bilhões de árvores a mais no mundo. Ou então que cada um fechasse a torneira enquanto escova os dentes ou faz a barba. Seriam milhões de litros de água economizados, todo dia, preservando mananciais de água potável.
Se cada um ficasse atento ao lixo da sua casa que pode ser reciclado, o espaço nos aterros sanitários aumentaria de forma considerável e a poluição seria menor, além de gerar economia para uma série de cooperativas e pequenas indústrias. O uso do papel reciclado, mesmo em pequenas quantidades, contribui para a preservação de milhares de árvores e reutilização de um material que seria amontoado em aterros e depósitos.
Uma conversa informal em casa pode mobilizar toda a família para a preservação do meio ambiente na sua cidade, no seu bairro ou mesmo na sua rua. O mesmo acontece na sala de aula, na academia ou num simples encontro de amigos. Pode parecer pouco, mas já é muito para o estado de penúria em que se encontram nossas reservas naturais.
O Dia Mundial do Meio Ambiente não pode ser apenas das grandes passeatas e discussões pelas causas ambientais. Em cada um de nós deve ser despertada a melhor maneira de contribuir para um mundo melhor e mais saudável. A participação nas decisões e projetos também é importante. Um canal vital para isso são as comissões de meio ambiente das câmaras municipais ou na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. As reuniões na Comissão de Meio Ambiente da Assembléia são abertas à população, que pode levar suas propostas, críticas e sugestões. É um direito de todos propor alternativas e saber exatamente o que está sendo feito nessa área, além de cobrar dos representantes do poder público ações concretas para reverter a degradação do meio ambiente. No domingo, reserve um pequeno espaço do seu dia para pensar nisso. E no que pode ser feito por nós mesmos, sem esperar apenas pelas iniciativas do poder público. A natureza é de todos nós. A obrigação de cuidar dela também.
O autor, Sebastião Almeida, é deputado estadual pelo PT, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa e coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Água