Os servidores federais iniciaram greve por tempo indeterminado, na quinta-feira passada, contra o arrocho salarial imposto pelo governo Lula (PT), as perdas salariais acumuladas nos últimos anos (de tucanato) e em defesa de um serviço público de qualidade. Repetindo FHC, o governo Lula teve a cara-de-pau de oferecer somente 0,1% de reajuste salarial, uma verdadeira afronta. E faz isso para obter um superávit primário cada vez maior. Superávit primário é a economia que o governo faz para pagar juros aos banqueiros. O Brasil está pagando, sob a rubrica de juros, mais de R$ 100 bilhões ao ano, dinheiro que falta para aumentar o salário mínimo e os vencimentos dos aposentados, para a saúde, educação e para atender as reivindicações dos servidores federais.
Não é preciso destacar os transtornos provocados pelas greves à população. Tal situação é inevitável. No entanto, entre o transtorno causado por uma greve e o transtorno provocado aos brasileiros para angariar recursos com o fim de destiná-los aos bancos, prefiro o primeiro.
Por isso, é fundamental o apoio de todos à greve dos servidores. Se queremos construir um país decente, é necessário valorizarmos o serviço público.
Faço questão ainda de manifestar solidariedade às lutas dos servidores das universidades estaduais e dos ferroviários, que também travam árduas batalhas por melhores salários e condições de trabalho.
Marcos Silvestre - diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região