Jaú - O primeiro índio da etnia ianomami que realizou transplante de medula óssea no mês passado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Hospital Amaral Carvalho (HAC) de Jaú, recebeu alta ontem. Odílio Neves Figueiredo, 22 anos, estava internado em recuperação no hospital, onde recebeu a medula do irmão, no dia 10 de maio.
O índio ianomami vai continuar tomando a medicação necessária para evitar rejeições do organismo ou qualquer tipo de infecção. Ele será acompanhado pela equipe do Amaral Carvalho, em consultas e exames diários.
De acordo com o médico Mair Pedro de Souza, responsável pelo transplante, o índio passa bem e precisa adotar alimentação leve, supervisionada pela equipe de nutricionistas do hospital, além de cuidados pessoais rigorosos para evitar infecções oportunistas.
Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o paciente continuará por mais algum tempo em Jaú, morando na Casa de Apoio do Hospital Amaral Carvalho. Lá, vivem hoje cerca de 40 pessoas entre pacientes e acompanhantes que vieram de outros Estados.
O número de transplantes realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou consideravelmente nos últimos dois anos. Os dados apontam aumento de 36,1%, entre 2002 e 2004, quando o Brasil atingiu a marca de 10.920 transplantes. Apenas em relação à medula óssea, o crescimento foi de 37% (871 transplantes, em 2002, e 1.197, em 2004.
Tratamento pelo SUS
Desde que a leucemia aguda foi descoberta, em 2004, o índio yanomami era tratado pela equipe médica da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam). O tratamento quimioterápico inicial permitiu que ele atingisse as condições ideais para ser submetido ao transplante. Após vários exames, em janeiro deste ano foi confirmada a compatibilidade entre o paciente e o irmão de apenas 13 anos.
No dia 25 de abril, paciente e doador, chegaram ao hospital de Jaú, depois de dois dias de viagem de barco até chegarem à capital do Amazonas. Todo o trajeto foi realizado com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), que é pago pelo Ministério da Saúde. Foram realizados os exames rotineiros para avaliação das condições clínicas e laboratoriais aos candidatos a transplantes, incluindo exames cardiológicos, radiológicos sorológicos, estudos da função pulmonar entre outros.
O procedimento implica em uso de altas doses de quimioterapia e drogas que atuam no sistema imunológico e visam à erradicação da leucemia e implantação da medula do doador.
A equipe precisou de um período de observação e adaptação para orientação quanto aos rigorosos cuidados que deverão ser garantidos durante e após o transplante.
O Hospital Amaral Carvalho é uma instituição filantrópica que, desde 1996, realiza transplante de medula óssea pelo SUS.