Serviços burocráticos ajudaram, ontem, a disfarçar a emoção dos funcionários com o fim das atividades médicas no único hospital psiquiátrico de Bauru, o Centro de Tratamento e Reabilitação em Saúde Mental Sebastião Paiva. Depois de 40 anos de história, alguns funcionários cuidavam ontem à tarde da organização de prontuários médicos.
Econômica nas palavras, a diretora-geral do hospital, Maria Estela Rueda, explicou que, até amanhã, a Direção Regional de Saúde (Dir-10) receberá a documentação dos pacientes. Segundo Rueda, será feita rescisão trabalhista dos funcionários até o dia 17 deste mês.
Com o fechamento do hospital psiquiátrico devido à falta de dinheiro para cobrir as despesas, a maioria dos 210 profissionais já procuram outro emprego. O fim do Paiva abriu discussão sobre como a cidade iria atender pacientes com transtornos mentais. Nos dias que se seguiram, o Paiva recebeu um abraço simbólico de 70 dos 210 funcionários.
O ato sinalizava que os trabalhadores pretendiam implementar em Bauru uma nova política de saúde mental. Falava-se em transformar o hospital psiquiátrico no novo Centro de Atenção Psicossocial (CAP) com atendimento 24 horas.
Nos últimos três meses, a DIR avaliou os 240 pacientes e providenciou a transferência gradativa dos que necessitam de internação. O município assumiu a responsabilidade por 38 pacientes que vivem em casas abrigo.