O prefeito Tuga Angerami (PDT) informou ontem que pretende iniciar o processo de reestruturação do sistema de saúde de Bauru ainda este mês. O chefe do Executivo esteve na Câmara Municipal participando de audiência pública convocada para discutir a proposta de suspensão do atendimento de urgência e emergência nos prontos-socorros (PSs) Mary Dota e Ipiranga.
Tuga explicou que a implantação da reforma, anunciada há três semanas, ainda depende de reuniões com os conselhos gestores e com os médicos da prefeitura, mas afirmou que pretende viabilizar as alterações até o final de junho. “O que nós queremos é reestruturar o sistema de saúde da cidade. A discussão não se trava apenas em cima do atendimento de urgência e emergência.”
Apesar disso, o fechamento dos PSs Mary Dota e Ipiranga foi o principal item discutido. A audiência durou quase quatro horas e foi realizada em clima de abosluta tensão. A galeria da Câmara ficou lotada e parte dos presentes hostilizou o prefeito.
Tuga destacou que o protesto era legítimo, mas chegou a se alterar em alguns momentos, principalmente quando seu discurso foi interrompido. Ao final, disse que muitas pessoas que foram até a Câmara não querem enxergar que os PSs Mary Dota e Ipiranga não têm condições de operar.
“Todos os dados que nós apresentamos apenas reforçam a preocupação que o Ministério Público (MP), Conselho Regional de Medicina e até a própria população já demonstraram no passado. Não é justo que se continue chamando de prontos-socorros locais que funcionam como unidades básicas de saúde”, observou.
Para Tuga, a população precisa se conscientizar de que o modelo adotado atualmente em Bauru está equivocado. “Pronto-socorro virou grife. O fundamental é ter no bairro uma unidade básica de saúde que ofereça consultas agendadas e dê o atendimento correto, com a possibilidade de deslocar o paciente para o PS em casos de efetiva urgência e emergência.”
Mudanças
A secretária municipal da Saúde, Tereza Faifer, explicou aos presentes os principais pontos da proposta de reestruturação idealizada pela prefeitura. A intenção é aumentar a oferta de consultas agendadas para tentar reduzir a demanda dos atendimentos de urgência e emergência. Segundo ela, as modificações visam suprir a falta de médicos no município.
As unidades do Mary Dota e Vila Ipiranga passarão a oferecer consultas agendadas das 7h às 19h. Elas também funcionarão como bases do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que ficará responsável pelo encaminhamento dos casos de urgência e emergência. Os pacientes mais graves serão levados para os PSs Central e Bela Vista.
A secretária afirmou que os PSs Mary Dota e Ipiranga atendem, juntos, média de 12 pacientes por dia durante a madrugada, o que faz com que o custo de cada atendimento chegue a mais de R$ 100,00 por consulta, levando-se em consideração o salário pago aos dois médicos plantonistas que atuam nas unidades. Tuga garantiu que o atendimento de urgência e emergência do PS Bela Vista será mantido para que o PS Central não fique sobrecarregado. Apesar disso, ele lembrou que há necessidade de reformar a unidade.
Uma das alternativas estudadas pela prefeitura é alugar as dependências do Hospital do Paiva, que está sendo desativado. O PS Bela Vista seria transferido temporariamente para a sede da instituição hospitalar até que o prédio atual fosse reformado.
A administração municipal também está tentando alterar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em outubro do ano passado com o Ministério Público para reforma dos PSs Bela Vista, Ipiranga e Mary Dota. Serão revistos os prazos e metas do acordo.
O prefeito propôs, ainda, um movimento para tentar convencer o governo estadual a autorizar a utilização do Hospital Estadual (HE) como porta de entrada de um novo PS. “Essa discussão precisa ser ampliada, contando com a participação do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), direção da Faculdade de Medicina de Botucatu e autoridades sanitárias do SUS.”
A audiência pública terminou após discussão entre o sindicalista Jesus Garcia e o vereador Paulo Madureira (PP). O parlamentar se sentiu ofendido quando Jesus utilizou o termo “massa de manobra” para se referir à Câmara. Os ânimos se exaltaram e o vereador Benedito da Silva (PSDB), que presidia a reunião, encerrou os trabalhos.
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Médicos
Questionado sobre os médicos que deixam de cumprir a jornada de trabalho de quatro horas diárias nas unidades básicas de saúde, o prefeito Tuga Angerami (PDT) afirmou ontem que a administração municipal está adquirindo equipamentos que controlam o horário de chegada e saída dos funcionários por meio da impressão digital.
O prefeito revelou, ainda, que técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) estiveram em Bauru há 15 dias e visitaram diversas unidades básicas de saúde, constatando algumas irregularidades. “Em uma delas, o auditor chegou ao local uma hora após o horário em que o médico deveria estar lá, permaneceu mais uma hora no posto e, mesmo assim, o profissional não apareceu”, relatou.