A cada ano, a saúde pública reinicia a árdua batalha cujo alvo é alcançar a meta de vacinação contra a poliomielite, que previne a paralisia infantil, não atingida nos últimos dois anos. Amanhã, munida com cartazes, folhetos, carros de som e postos volantes, a Secretaria Municipal de Saúde quer atingir em Bauru 25.757 crianças com menos de 5 anos, que representam 95% da população dessa faixa etária.
Para tanto, a campanha nacional da cidade contará com um batalhão de 250 profissionais da saúde, distribuídos nas áreas urbana e rural.
“Fizemos reunião com a chefia das unidades. Eles ficaram de levar (cartazes) para colocar em pontos de referência do bairro. Também distribuímos em hospitais, em todas as unidades de saúde e nas igrejas. Priorizamos o centro e os ônibus circulares”, explica Heloisa Ferrari Lombardi, enfermeira da Vigilância Epidemiológica do Departamento de Saúde Coletiva, órgão da Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com ela, o material também foi enviado para todas as escolas estaduais e municipais da cidade. Nas creches, panfletos foram distribuídos aos matriculados de forma que cheguem até as mães. No total, o Ministério da Saúde encaminhou 1.200 cartazes e 1.900 folhetos para Bauru. “As equipes das unidades de saúde farão o corpo-a-corpo nos postos. Os carros de som vão priorizar a periferia”, explica.
Segundo a assessoria de imprensa, eles circularão por bairros como Ferradura Mirim, Parque Jaraguá, Jardim Nicéia, Parque das Nações, Jardim Ouro Verde, Núcleo Habitacional Fortunato Rocha Lima e Jardim Tangarás. Por lá, nem todas as mães são rigorosas com a vacinação de rotina das crianças. Não é o caso das irmãs Rosana Severino Castro e Inês de Castro Silva. Elas estão em dia com a caderneta dos filhos, embora admitam pequenos atrasos para levá-los ao posto.
“Demorei uma semana para levar o Victor, porque meu outro filho morreu (de acidente de carro) um dia antes do dia da vacina. Precisei colocar a cabeça no lugar”, explica Inês. Já no caso de Rosana o atraso foi maior. Ela retardou por quase um mês a imunização de Evelyn porque está novamente grávida e não tem como pagar condução do Tangarás até o Jardim Redentor, onde há uma unidade de saúde.
“Eu vou a pé. Minha mãe me ajuda. Ela vai comigo”, afirma. Ambas apóiam a iniciativa da administração municipal de ofertar ônibus gratuito do bairro até o posto mais próximo, no dia da campanha de vacinação contra a paralisia infantil. A vacina é recomendada mesmo para a criança que estiver com tosse, gripe, rinite ou diarréia. Ela é segura e os efeitos colaterais são extremamente raros.
Nas duas etapas da campanha as crianças receberão, além da vacina contra a poliomielite, doses de vacinas que estejam em atraso na caderneta, como Tetravalente (contra difteria, tétano, coqueluche), Tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola) e contra hepatite B.
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Empurrão
Com o objetivo de incentivar os municípios que ficaram aquém da meta de vacinação nos anos anteriores, o Ministério da Saúde adiantou neste ano o material informativo sobre a campanha contra a poliomielite distribuído às rádios destas cidades, informa a assessoria de imprensa do órgão. No ano passado, a cobertura em Bauru não passou dos 93,34%.
Já as peças publicitárias para TV, além de folders e cartazes, foram entregues simultaneamente em todo o País. No total, o governo federal aplicou R$ 22,8 milhões nesta primeira etapa, incluindo a compra da vacina Sabin. No geral, a União espera aplicar 17,3 milhões de doses contra a doença, que não tem tratamento, apenas prevenção. No Estado de São Paulo, o último caso foi registrado em Teodoro Sampaio em 1988. Para que a data fique cada vez mais distante, 3,3 milhões de crianças devem ser imunizadas em território paulista.
Já em Bauru não há ocorrências há pelo menos 20 anos. A paralisia infantil pode ocorrer sob forma de infecção. Seus sintomas são febre, mal-estar, coriza, diarréia e paralisia flácida de braço e perna.