Polícia

Empréstimo 'fantasma' lesa aposentado

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru registrou nesta semana o caso de um empréstimo “fantasma”, cuja vítima é um aposentado do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). O homem, de 59 anos, que terá seu nome preservado, foi surpreendido com um débito de R$ 308,89 diretamente descontado do seu benefício em conta corrente. A família conseguiu, ontem, descobrir que existe um empréstimo no valor de R$ 6.228,88 feito no nome do pensionista, a ser pago em 36 parcelas.

O aposentado garante que não fez empréstimo algum e muito menos autorizou outra pessoa a contrair esse compromisso em seu nome. Também não teve creditado em sua conta corrente o crédito referente ao empréstimo em questão. Foi aberto um boletim de ocorrência no 3.o Distrito Policial para investigar o caso. O mesmo DP já registrou o caso de um outro aposentado que foi vítima de estelionato. Uma pessoa conseguiu efetivar o empréstimo no nome do pensionista apenas apresentando uma cópia dos documentos dele.

No caso do aposentado que procurou a reportagem, o empréstimo teria sido efetivado em abril deste ano no Banco Cruzeiro do Sul, com sede em São Paulo. O superintendente da área comercial da agência, Sérgio Capela, informou à reportagem que o valor referente à primeira parcela cobrada será devolvido hoje para o pensionista da Previdência Social. Ele garantiu que as demais mensalidades não serão debitadas e acredita que trata-se de uma falha operacional.

Segundo o gerente, foi descoberto que uma conta-poupança foi aberta em nome do aposentado no Banco Bradesco para onde teria sido remetido o crédito do financiamento. Capela admite que a contratação do crédito e a efetivação da operação financeira existiram, mas não sabe informar quem foi o autor do empréstimo e quem abriu a conta-poupança.

O diretor financeiro do banco, Fábio Amaral, revelou que será feita uma investigação interna no Cruzeiro do Sul para averiguar as irregularidades. Amaral não soube explicar em qual agência do Banco Bradesco foi aberta a poupança beneficiada com o crédito do empréstimo em nome do aposentado: “Não sei dizer. Vou ter que levantar toda a operação”.

Ele argumenta que o Bradesco será informado da operação irregular, que envolve uma conta, para que se possa chegar a quem abriu a poupança em nome do aposentado bauruense. Amaral acrescenta que essa foi a primeira operação irregular com financiamento para aposentados envolvendo o Banco Cruzeiro do Sul. Outra questão que não foi explicada pela direção da instituição financeira é a existência de um contrato do Cruzeiro do Sul com o aposentado, que garante nunca ter mantido qualquer relação com o banco. “O contrato existe e foi gerado de alguma maneira fraudulenta. Eu não sei quem foi lá assinar”, informa Amaral.

As campanhas de divulgação de financiamento com débito consignado na folha de pagamento do INSS estipulam que o valor financiado, e posteriormente o débito das prestações, caem na conta corrente do aposentado. Neste caso, apenas o débito da parcela foi feito.

Investigação

O titular do 3.o DP, delegado Marcelo Haddad, explica que o procedimento investigativo implica na Justiça determinar que o banco envie cópia do contrato do empréstimo. Para rastrear o caminho percorrido pelo dinheiro, também é necessário que o Poder Judiciário autorize a quebra de sigilo bancário do beneficiado. Haddad garantiu que, se comprovada a contratação irregular, o banco deve ressarcir o segurado da Previdência Social.

O gerente-executivo do INSS em Bauru, Josué Lopes Moreira, explica que a instituição financeira é quem solicita à Previdência Social que remeta o débito para o banco. Ele esclarece que, se existe o desconto no benefício, a operação foi efetivada em um banco. Moreira considera remota a possibilidade de algum hacker invadir o sistema da empresa (Dataprev), que processa os dados da Previdência Social para aplicar um golpe desse tipo. “Alguém que consiga entrar no banco de dados da Dataprev vai querer provocar um grande estrago”, argumenta.

Por outro lado, o gerente-executivo não descarta a hipótese de funcionário do INSS estar envolvido em alguma irregularidade. Também não afasta a possibilidade de uma quadrilha estar tendo acesso às informações dos segurados.

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