Auto Mercado

Aprenda a reconhecer bons extintores

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Testes encomendados pela Associação Nacional de Proteção contra Incêndio (ANPI) em centenas de empresas de manutenção de extintores automotivos do País, responsáveis pelo fornecimento de parte deste equipamento para o mercado, revelaram dados aterradores para os donos de veículos paulistas. Os resultados apontaram São Paulo como líder do ranking nacional da baixa qualidade do produto, superando Paraná, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Os números, que podem ser acessados no site da ANPI - www.anpi.com.br - comprovam o fato. Dos 22 estabelecimentos avaliados no Estado, apenas três, ou 13,6% deles, foram aprovados nos exames realizados por um laboratório catarinense que avaliou vários itens dos extintores, como o teor de bicarbonato de sódio na carga, manômetro (válvula de pressão), aderência da pintura, capacidade extintora, originalidade e quadro de instruções.

“Infelizmente, isso demonstra que as fraudes e irregularidades no equipamento estão presentes como nunca no mercado, pois ele é abastecido por essas empresas do gênero”, enfatiza Maurício Magrini, proprietário de um estabelecimento bauruense especializado no comércio e manutenção de extintores. Por essa razão, é fundamental saber reconhecer um produto de boa qualidade no ato da aquisição.

Magrini ensina que uma das “armas” nessa hora, especialmente na compra dos usados, é executar uma checagem apurada da aparência visual do extintor, que atualmente deve ser trocado pelo de carga ABC. “Ele não deve ter amassados, ferrugem ou pintura descamada ou velha nem sinais de veda-rosca na base da válvula, pois são indícios de desleixos graves com a manutenção que comprometem sua eficiência”, alerta.

Também é fundamental, acrescenta Magrini, observar com atenção redobrada a presença do selo do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) - em papel azul nos recondicio-nados e gravado na carcaça dos novos - e do lacre da válvula de pressão. Enquanto o primeiro registra a data em que a manutenção foi realizada no extintor, o segundo marca a data da próxima recarga. “O problema é que o lacre da válvula não é controlado como o do Inmetro. Como cada empresa tem o seu, abre-se espaço para os fraudadores e estabelecimentos desonestos”, ressalta o comerciante.

Segundo Magrini, não é raro encontrar extintores no mercado apenas com o lacre trocado e sem a correta manutenção. “É o golpe mais comum”, frisa ele. E adverte: “Desta forma, há equipamentos que permanecem anos com a mesma carga, o que compromete sua capacidade extintora. Isso porque, naturalmente, o pó em seu interior vai perdendo os aditivos e endurecendo. Assim, ao comprar um usado, é importantíssimo checar se o selo do Inmetro está realmente marcando a data em que o produto foi recarregado.”

Ainda visualmente, Magrini explica que também é possível verificar a data em que a carcaça do extintor foi fabricada para evitar a utilização de cilindros demasiadamente velhos. “Ela deve estar sempre impressa embaixo ou no pescoço do cilindro. Como as pessoas não reparam muito nesse detalhe, é comum pegarmos aqui na empresa carros novos com extintores da década de 70. Será que equipamentos com essa idade ainda são eficientes e deveriam estar no mercado?”, questiona.

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Fique de olho!

• Desconfie dos extintores muito baratos. A recarga de um extintor à base de troca custa, em média, R$ 10,00 em estabelecimentos especializados. Portanto, preços abaixo desse valor podem ser indícios de produtos de baixa qualidade

• A revalidação do teste hidrostático (da carcaça) dos extintores está proibida

• Não tenha dúvidas: o custo-benefício dos extintores ABC é melhor que os “antigos” BC. Enquanto os primeiros custam cerca de R$ 60,00, são mais eficientes para apagar o fogo e precisam ser trocados somente a cada cinco anos, os segundos exigem trocas ou recargas anuais e, ao final de 60 meses - a garantia dos ABC - o dinheiro gasto é maior

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