No Instituto Penal Agrícola (IPA) de Bauru, presídio de regime semi-aberto que está completando 50 anos, todos os internos trabalham, afirma Helton Rogério Pini, diretor interdisciplinar da unidade. A maior parte dos mais de 800 reeducandos exerce atividades internas de manutenção do presídio (cozinha, lavanderia, limpeza e jardinagem) e na agropecuária.
A fazenda do IPA tem 270 alqueires com rebanhos bovinos, suínos e caprinos e cultivo de café, cana-de-açúcar, milho, girassol, árvores frutíferas, plantas ornamentais. Há ainda horticultura, que fornece inclusive verduras e legumes para creches e escolas municipais, e psicultura.
Outros 250 reeducandos são contratados por empresas da cidade de vários setores. “As empresas pagam um salário mínimo por mês e fazemos um rateio entre os que trabalham internamente e na área externa para que todos tenham salário. É com esse dinheiro que eles pagam as despesas pessoais, viagens nas saídas temporária e ajudam suas famílias”, frisa Pini.
Além de fonte de renda, Pini afirma que o trabalho ajuda na ressocialização. “É uma forma para retomar valores perdidos e readaptá-lo ao mundo do trabalho”, comenta. Mas esta readaptação é trabalhosa, diz o diretor do IPA. “A sociedade ainda tem barreiras para o reeducando, mas a proposta é que no semi-aberto ele aprenda um ofício para encarar o mercado de trabalho quando sair”, afirma.
Como trabalham na fazenda e em empresas, é mais a consciência do reeducando que o mantém no presídio do que o sistema de segurança. Por mês, de quatro a cinco internos abandonam a unidade, número que Pini considera baixo.
Para comemorar os 50 anos do IPA, a TV Câmara fez um documentário sobre o presídio que foi fundado em 1955, na fazenda e prédio onde funcionava uma escola agrícola. O documentário, que ontem foi exibido para os internos e autoridades, conta a história do presídio e faz uma comparação entre regime fechado e semi-aberto.