A direção da unidade da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru está mudando novamente. No início da noite de ontem, Jorge Pinholi, que estava no cargo desde o último dia 29 de abril, anunciou que seu pedido de demissão, feito no início da semana, foi aceito. Ele, que é tenente-coronel da reserva da Polícia Militar, sai afirmando que o cargo requer uma pessoa que tenha amplo conhecimento sobre a instituição para conseguir fazer a “engrenagem funcionar”.
Para Pinholi, o novo diretor da instituição deve ser funcionário de carreira da entidade - e não mais indicado. “O diretor tem de ter amplo conhecimento do pessoal que trabalha na Febem, para que se forme uma equipe de trabalho de fato, conhecer a pedagogia empregada com os internos e experiências já adotadas que deram e as que não deram certo”, comenta.
Procurada pelo JC no final da tarde de ontem, a assessoria de imprensa da Febem ainda não tinha informações sobre quem assumirá o cargo de diretor da unidade de Bauru. De acordo com Pinholi, provisoriamente, um funcionário de carreira fica na função, até a nomeação de um substituto. Desde que foi inaugurada, há pouco mais de três anos, a instituição em Bauru já teve sete diretores.
Nos cerca de 40 dias à frente da Febem de Bauru, Pinholi enfrentou duas rebeliões em menos de 24 horas no mês passado, que deixaram a unidade destruída. A última ocorrência na unidade foi na segunda-feira, quando os internos fizeram um tumulto alegando demora no andamento de seus processos de internação. Após a nova ação dos menores, Pinholi conta que pediu demissão e a intervenção na unidade à Febem de São Paulo.
Já em casa, no início da noite de ontem, ele afirmou que deixou o cargo de diretor, mas acredita que a Febem tem condições de recuperar menores infratores. “Tanto recupera que a reincidência é baixa. Dos 74 internos de Bauru, apenas quatro são reincidentes. Mas o modelo que o governo está fazendo agora, de unidades menores (para cerca de 40 adolescentes), é melhor que o de Bauru”, frisa.
Afirmando que está à disposição da nova diretoria da Febem para ajudar como colaborador, Pinholi faz uma avaliação geral da instituição. “A Febem está muito atrelada ao ECA (Estatuto da Criança e Adolescente), que cobra muito do Estado e pouco do interno. O estatuto da Febem não é adequado à realidade brasileira e deveria ser revisto, assim como a maioridade penal”, finaliza.