Tribuna do Leitor

Sonhos frustrados


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Hoje em dia existe em nossa sociedade uma grande rechaça aos movimentos sociais, apesar de termos acompanhado por vários meios e perspectivas a Marcha a Brasília do MST. O que se pode ver foram apenas os engajados participarem desse manifesto, entretanto, sem um apoio eficaz da população que pressionasse a base governista a decretar uma reforma.

Buscando com mais afinco explicações para isso, podemos encontrá-las na decepção gerada em um povo por um presidente que se comprometeu com várias classes menos favorecidas, mas que, no entanto, não fez nada de concreto.

A reforma agrária que acentaria um milhão de famílias não houve, o sonhado primeiro emprego ainda não alcançou os jovens da periferia, tão pouco o fome zero diminuiu os cinqüenta milhões de miseráveis que continuam a se alimentar, quando conseguem, dos restos de comida dos lixões.

Tais angústias deveriam a muito deixar de nos afligir, talvez uma sociedade civil mais participativa que tivesse um maior ímpeto em cobrar dos gestores públicos o que lhe é de direito mudaria essa situação, entretanto, o que vemos são milhares de acomodados reclamões, que discordam de tudo sem se esforçar para que algo mude.

Enquanto avançam em passos largos as reformas neoliberais do governo, nós vamos sucumbindo quase que sem lutar. Isso pode ser visto dentro das universidades públicas e privadas, a reforma universitária que deveria abraçar reivindicações históricas do movimento estudantil está longe de ser a ideal, pior ainda, ela serve para tirar dinheiro das universidades públicas para investir nas privadas, através de medidas como o Prouni, sendo que se o mesmo valor fosse investido nas federais isso geraria quinhentas mil novas vagas, como já sabemos.

Entretanto, não podemos culpabilizar apenas o governo se a classe estudantil em Bauru não se organiza, o problema em geral é nosso, se o objetivo dos que estão na universidade é cada vez mais o capital que vai retornar após formados e o conceito de local de produção de conhecimento se perde, nada mais é do que o reflexo da inversão de valores que permeia a todos, sendo que isso transforma as universidades em instituições de treinamento de mão-de-obra barata, que não amadureceu ao ponto de reivindicar aquilo que lhes é de direito.

Está na hora de nós, estudantes, encamparmos as nossas bandeiras, sairmos para ruas e dizer que o que realmente queremos é uma universidade pública gratuita e de qualidade para todos. Enquanto isso não acontece, que se comece a redução das mensalidades das privadas, passe-livre para todos estudantes, sendo que isso já é um direito nosso, que essa reforma universitária que está vindo não é a que queremos, os estudantes, universitárias e secundaristas, têm se unir em Bauru e mostrar a nossa força enquanto o movimento social se organiza e luta. Desta forma, mostrando nossa insatisfação e levaremos os governos municipal, estadual e federal a cumprirem o seu papel no desenvolvimento do conhecimento e educação dos jovens do nosso país. (Gustavo de Paula Mineiro - RG: 34043856-3, estudante de Física da Unesp-Bauru)

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