A morte do radialista e locutor de rodeios Gilberto Camargo “carregou” de dor o bordão “Alô Tche tchê”, expressão corriqueira na voz de Tula (como era conhecido). Vítima de acidente, ele perdeu a vida ontem pela manhã na Vila Falcão. Trata-se da segunda ocorrência fatal na rua Bernardino de Campos neste ano e eleva para dez o total de mortes neste ano no trânsito e para oito o número de motociclistas que perderam a vida na área urbana de Bauru.
Tula, 52 anos, conduzia a moto CG 125, placa DKJ 3387, pela rua dos Andradas, quando chocou-se contra um caminhão de Potirendaba, no cruzamento com a rua Bernardino de Campos. O motorista do veículo, Anderson Marques Batista, 25 anos, declarou à polícia não ter visto a sinalização para parar o veículo, placas BJJ 0224. No entanto, disse ter diminuído a velocidade ao atravessar a rua, preferencial para quem segue nela.
Com o impacto, o capacete usado por Tula se soltou. Ferido na cabeça, ele foi socorrido por uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu. De acordo com a certidão de óbito, o radialista sofreu hematoma e traumatismo craniano. Testemunhas do acidente não descartam a possibilidade dele ter perdido massa encefálica.
“A Polícia Ccientífica esteve no local (para tentar reconstituir os fatos). Vamos instaurar um inquérito policial”, informa o titular do 1.º Distrito Policial, Ronaldo Divino. Simultaneamente às investigações, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) estudará a possibilidade de instalar semáforo no cruzamento das vias.
No ano passado, a necessidade foi descartada em estudo realizado pela Diretoria de Sistema Viário, informa a assessoria de imprensa da empresa. Conforme a reportagem constatou, a cerca de 20 metros de onde o acidente foi registrado, na rua dos Andradas, existe um obstáculo. Ele é sinalizado. Também foram instaladas placas pouco mais acima do cruzamento. Elas indicam a lombada e a velocidade máxima permitida (30 quilômetros por hora).
A rua Bernardino de Campos também tem placas. Elas orientam o motorista a parar, assim como a pintura de solo. A faixa de pedestre sinaliza ainda redução de velocidade. Mas parece não ser suficiente. Moradores e trabalhadores da região reclamam da constância de acidentes, geralmente de natureza grave. “O motorista (que transita pela Bernardino de Campos) não tem visão (para atravessar). Eles descem (pela rua dos Andradas) em alta velocidade (a via é íngreme)”, diz o comerciante Agnaldo Verdó.
Ele, assim como o irmão Alex, é favorável à instalação do semáforo. Na opinião dos dois, trânsito intenso das vias respalda a necessidade. “Além disso, (o trecho) dá acesso à Vila Independência e a Piratininga”, conclui Alex.
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Capacete
Se o capacete de Tula Camargo não tivesse se soltado, talvez os ferimentos sofridos por ele não fossem tão graves. Por essa razão, o comandante do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar, Fabiano de Almeida Serpa, alerta aos motociclistas que o ajustem corretamente. “Se não, a proteção fica nula. A folga da jugular deve ser de no máximo um dedo”, explica.
O uso inadequado ou a não utilização do capacete pode resultar em autuação gravíssima, o que corresponde à multa de R$ 197,00, sete pontos na carteira de habilitação, além da suspensão do documento. “Uma outra dica (para evitar acidentes graves) é andar na velocidade permitida da via e sempre respeitar a sinalização do trânsito”, diz Serpa, sem tomar como base o acidente que vitimou o locutor.
De acordo com ele, o trecho onde a ocorrência de ontem foi registrada não lidera o ranking dos mais preocupantes, embora em março um homem de 65 anos tenha perdido a vida num atropelamento na Bernardino de Campos. “O semáforo pode ajudar, assim como pode ajudar qualquer cruzamento”, conclui Serpa.