Vereadores da Câmara Municipal de Bauru aproveitaram a sessão legislativa de ontem para defender que o futuro da ponte Ayrton Senna seja definido exclusivamente com base em análises técnicas. Diante disso, os parlamentares optaram por cancelar a visita que fariam hoje à passagem, interditada desde janeiro de 2003.
Na semana passada, o prefeito Tuga Angerami (PDT) anunciou que a possibilidade de implodir a ponte não está descartada. Representantes da construção civil disseram a ele, extra-oficialmente, que a obra poderia voltar a apresentar problemas daqui a cinco ou sete anos caso o projeto atual de recuperação fosse mantido. O ex-prefeito Nilson Costa veio a público, então, para contestar a informação, dizendo que a estrutura ficará segura após a conclusão da reforma.
O vereador Futaro Sato (PDT), que integra a base aliada do prefeito no Legislativo, foi o primeiro a comentar o assunto. “O engenheiro Tatsuo Kajino me disse, no início do ano, que é viável recuperar essa ponte por menos de R$ 100 mil. Se há essa possibilidade, é preciso que isso seja feito imediatamente”, destacou.
O parlamentar Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) saiu em defesa do projeto técnico de reforma elaborado para corrigir os problemas estruturais da passagem. “O laudo do engenheiro Eduardo Albiero afirma que essa ponte não cairá. O prefeito precisa parar de ouvir pessoas que não têm conhecimento de causa para opinar sobre o assunto”, sugeriu.
Tuga vai se reunir no dia 23 com engenheiros, especialistas e acadêmicos do setor para debater o futuro da passagem. Para o vereador Marcelo Borges (PSDB), o agendamento do encontro é uma medida sensata neste momento. “É preciso pedir informações para a Faculdade de Engenharia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e para a Assenag (Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos)”, observou.
O tucano solicitou que a decisão final seja racional. “Precisamos discutir essa questão sem paixões. Temos que verificar qual o limite de cargas a ponte suportará depois de reformada. Se a saída for a demolição, temos que saber se haverá dinheiro para construir outra imediatamente”, analisou.
O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) foi outro que cobrou uma solução técnica para o problema. “A decisão não é mais política. Com certeza, o prefeito ouvirá outras pessoas e não irá tomá-la sozinho”, projetou.
O parlamentar Arildo de Lima Jr. (PP) adotou o mesmo posicionamento dos colegas. “Temos engenheiros capacitados na Secretaria Municipal de Planejamento e é importante consultá-los para que tenhamos um parecer técnico, até porque sabemos que a construção foi acelerada por motivos eleitorais”, comentou.
A ponte foi inaugurada em setembro de 2000, às vésperas do pleito que elegeu Nilson Costa para o seu segundo mandato à frente do Executivo. Pouco mais de dois anos depois, porém, foram verificadas rachaduras na estrutura, o que levou à interdição da passagem que liga o Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1.
A obra custou aproximadamente R$ 217 mil e foi construída pela Tofer Engenharia. A reforma já consumiu R$ 258 mil e a estimativa é que sejam necessários mais R$ 272 mil para concluir a reforma. O projeto de reestruturação indica a utilização de aterro envelopado nas cabeceiras, que consiste na instalação de camadas de tela sintética para diminuir o impacto que o peso da terra terá sobre a passagem.
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Projetos
A pauta da sessão legislativa de ontem não registrou assuntos polêmicos. Todas as nove proposituras discutidas em plenário foram aprovadas por unanimidade. Em segunda discussão, os parlamentares votaram o projeto de resolução do vereador Marcelo Borges (PSDB) que autoriza a convocação de autoridades durante o recesso, desde que haja oito assinaturas na solicitação.
O plenário também aprovou, em primeira discussão, dois projetos de leis do Executivo. Um deles define o primeiro dia útil de cada mês como data de pagamento dos servidores municipais e o outro revoga a concessão de uma área do Núcleo Mary Dota para construção de uma delegacia de polícia. Foram apreciadas, ainda, seis moções.
Por fim, os vereadores acataram pedido de urgência do Executivo para tramitação do projeto que cria o cargo de diretor nas escolas municipais de ensino fundamental inauguradas recentemente.