Estivemos na audiência pública da saúde na Câmara Municipal. Infelizmente, não se chegou a lugar nenhum que fosse satisfatório para a população. Até concordamos com o sr. prefeito quando fala da inversão da pirâmide da saúde. Ter um pronto-socorro não é ter status ou “grife” como foi dito. É, antes, ter segurança, é saber que a hora que precisamos existe um médico que nos atende. Antes de mudar essa pirâmide, como se estivéssemos lidando com objetos e não pessoas, teríamos que ter tido uma preparação com a população. O povo não entende essa situação e está se sentindo traído, porque mais uma vez prevalece a vontade de poucos.
Antes de anunciar o fechamento teria sido necessário melhorar as unidades básicas de Saúde com melhorias não só de espaço físico mas também no agendamento de consultas, em fornecer à população um melhor encaminhamento às especialidades, facilitar mais um ultra-som ou um exame mais complexo. Enfim, o povo precisa reaprender como utilizar a saúde e ter uma base sólida. São 10 anos de pronto-socorro, onde se criou essa idéia errada, mas que se tirar essa base o povo vai demorar a entender e aceitar.
Foi deprimente a atitude de pessoas que vaiavam, que fizeram daquele lugar um campo de combate, mas o povo se sente perdendo mais uma conquista, mais um apoio. Nós temos o direito de cobrar promessas de campanha porque não ouvimos em televisão ou palanque que não seria essa a atitude mas, sim, no olho no olho em várias reuniões com o candidato, o conselho gestor e os funcionários do Ipiranga. Mas nem por isso vamos atacar e usar a violência em tal situação. Conhecemos o sr. prefeito e sabemos que é uma pessoa honesta e íntegra e não quer o mal do povo, mas acreditamos que o caminho foi errado.
Esperamos que pelo menos as unidades básicas tenham melhor atendimento e possam dar um pouco de tranqüilidade às pessoas. É mais uma promessa! Tomara que ela seja realmente concretizada! Se realmente houver melhora nas unidades básicas, além do povo mudar a idéia de PS também não irá ao PAI ou ao central. Mas para isso é necessário que o horário de atendimento seja até as 22h ou 23 horas para que os prontos-socorros não fiquem mais lotados e passem a atender mal os usuários pelo número grande de consultas.
Geralmente, a mãe da periferia trabalha como diarista ou doméstica. Ela dificilmente vai faltar ao serviço para ir levar o filho ao médico, pela insegurança e falta de trabalho, então ela fatalmente vai ao PS que atende à noite. É bom que se repense bem esse horário, senão não vai dar certo virar a pirâmide! E quanto à base do Samu, vamos ficar de olho e cobrar mais essa promessa.
Myriam Elza C. Vecchi Rodrigues - presidente do conselho gestor do PS Ipiranga - RG 3.181.095