Uma brincadeira inocente num tanque de areia quase custou a vida de Pedro Guilherme Seco da Silva, 7 anos, ontem à tarde. Mais da metade do corpo dele foi soterrado, quando um caminhão descarregava areia num terreno alugado por uma empresa que trabalha com material básico de construção civil, situada no Parque Paulista.
De acordo com o pai do menino, Julio Cesar da Silva, o filho dele não foi totalmente coberto pela areia porque gritou por socorro. “O motorista só descarregou meio caminhão. Mesmo assim, chegou no peito (da criança)”, conta. Foi ele quem salvou o primogênito. Utilizou uma pá para retirar parte da terra e depois puxou o menino.
O tanque de areia onde Pedro brincava é vizinho à igreja dirigida pela avó dele. Maria Aparecida Prado da Silva cuida do neto, enquanto o filho e a nora trabalham. “Ela (a avó) jogou uma água (no menino, após o acidente) e eu fui buscar uma troca (de roupa). Percebemos então o sangramento atrás da orelha”, relembra o pai, que levou a criança ao Pronto-Socorro Infantil (PAI) com dores no peito.
No caminho, um policial teria recomendado que a família registrasse boletim de ocorrência. Já na delegacia, Pedro não conteve o vômito. A família foi orientada a buscar atendimento médico imediato. Até o fechamento desta edição, o garoto permanecia internado em observação. De acordo com a família, ele estava melhor, mas continuava assustado.
O acidente será investigado pelo 4.º Distrito Policial, onde o caso foi registrado como lesão corporal e omissão de socorro. Segundo Silva comunicou à polícia e ao JC, o motorista do caminhão não teria auxiliado no resgate do menino.
“Solicitamos o laudo do Instituto Médico Legal (IML) para ver a natureza das lesões. Se for grave, será instaurado inquérito. Mas falta identificar o condutor do veículo e ouvir as partes para apurar a veracidade (da história). Por enquanto, só temos a versão da família”, explica o delegado Dinair José da Silva, do 4.º BP.
O JC tentou contato com os responsáveis pela empresa de material de construção básico, mas eles preferiram não se manifestar.