Bairros

Projeto atenderá mais 120 crianças de rua

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O projeto “Nenhuma Criança na Rua” vai atender, a partir do próximo semestre, mais 120 menores entre 7 e 14 anos encontrados pedindo dinheiro em semáforos ou em situação de risco nas vias públicas de Bauru. Como as 67 que já integram o programa há mais de um ano, as crianças serão encaminhadas para escola e para projetos sociais no período adverso ao de estudo, de forma a ter atividades o dia todo.

A ampliação do número de crianças atendidas será possível graças ao dinheiro arrecadado com a campanha do Imposto de Renda do ano passado, explica Maria Moreno Perroni, presidente do Conselho Municipal da Criança e Adolescente. “A campanha do IR de 2004 rendeu R$ 165 mil que vamos usar para atender esse novo grupo de crianças que encontramos nas ruas. Elas já foram cadastradas e estamos terminando a fase de visitas às famílias para definir o perfil de cada uma”, explica.

O “Nenhuma Criança na Rua” é fruto de parceria entre o Conselho da Criança e do Adolescente, Secretaria Municipal do Bem-Estar Social e Grupo Empresarial de Apoio à Criança e Adolescente (GEA). Para incentivar as famílias a manter seus filhos na escola e em projetos sociais, longe das ruas, elas ganham uma cesta básica e R$ 60,00 por mês por criança atendida. O “Nenhuma Criança na Rua” ainda paga R$ 120,00 para a entidade que recebe o menor no período adverso ao de aula.

Ontem, 21 crianças do grupo de 67 já atendidas pelo projeto tiveram uma tarde literalmente nas alturas. Elas visitaram o Aeroclube de Bauru e a Base de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar e, no final do passeio, fizeram um vôo panorâmico pela cidade. “Foi legal. Lá de cima vi minha casa”, conta uma das primeiras crianças a descer do avião.

O passeio foi uma atividade extra do “Nenhuma Criança na Rua”, viabilizada pelo (GEA), parceiro do projeto e responsável pela organização da campanha de doação do IR para a iniciativa. Reinaldo Cafeo, vice-coordenador do GEA, conta que conseguiu patrocínio de empresas da cidade para pagar o passeio de avião. “No segundo semestre vamos repetir o passeio para as demais crianças do projeto”, promete.

Para Cafeo, o passeio ao Aeroclube e a volta de avião vão marcar positivamente as crianças. “Eles estão numa fase da vida que as coisas são marcante e passeios como estes, com oportunidade de andar de avião, servem para eles verificarem o que podem conseguir se estudarem e trabalharem”, frisa.

No hangar do Aeroclube, a atenção das crianças era toda para os aviões bimotores e monomotores estacionados. “Eles querem saber como o avião funciona, como sai do chão, e a velocidade que pode chegar”, conta o piloto César Perroni, funcionário de uma empresa de Bauru que colaborou com o passeio das crianças cedendo o avião para visitação.

Para ele, a atividade é um estímulo às crianças para que continuem estudando e pensem no futuro. Alunos do curso de ciências aeronáuticas da Instituição Toledo de Ensino (ITE) também colaboraram com o passeio. “Os olhos das crianças brilham. Aqui tudo é novidade para elas”, comenta Luiz Bertonha Júnior, um dos alunos do curso.

Ao lado das amigas, uma das meninas atendidas pelo projeto conta que não vai mais para rua perdir dinheiro. “Eu ganhava de R$ 5,00 a R$ 10,00 por dia e comprava tudo em doce. Agora minha mãe diz que não pode e não vou”, diz ela, que tem 12 anos. Sua colega, com a mesma idade e que tem mais dois irmãos no projeto, lembra que se voltar para a rua a família perde a cesta básica e o dinheiro. “Em casa só minha mãe está trabalhando”, comenta.

“Não dê esmola”

Para atingir o objetivo de tirar as crianças da mendicância e da situação de risco nas vias públicas, o projeto “Nenhuma Criança na Rua” desenvolve iniciativas como a orientação à população para não dar esmolas. “Estamos viabilizando recursos para colocar mais 100 placas contra esmolas nas ruas”, adianta Cafeo.

Placas semalhantes, com os dizeres “Não dê esmola, dê escola”, já estão instaladas na zona sul e avenida Nações Unidas, locais preferidos pelas crianças para pedir dinheiro.

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