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Dirigir na terceira idade exige cuidados extras

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Atingir a “melhor idade” não é regra estabelecida nem sinônimo para se abandonar o volante. Entretanto, especialistas em trânsito, como os integrantes da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), alertam que as pessoas com mais de 60 anos devem redobrar os cuidados e seguir algumas regras para evitar acidentes quando estão ao comando de um veículo.

Segundo a Abramet, entidade sem fins lucrativos que desenvolve estudos científicos sobre as principais causas de acidentes de trânsito, os idosos devem respeitar três “mandamentos” principais: evitar dirigir à noite, limitar o acesso às rodovias e manter a velocidade sempre abaixo do limite permitido na via.

A associação revela que a maioria dos acidentes envolvendo pessoas nesta faixa etária ocorre no momento em que o idoso tem de tomar várias decisões ao mesmo tempo, como ao efetuar uma conversão para esquerda. Neste caso, explica a entidade, o motorista tem de prestar atenção no carro ao lado, no que vem do lado oposto e naquele que está atrás, atitudes simultâneas que, conforme a Abramet, tornam-se mais complicadas para serem executadas por quem já passou dos 60 anos.

A associação também justifica as razões para os idosos evitarem as estradas e a condução noturna. Segundo a entidade, além da baixa acuidade visual e maior risco de sonolência, metade dos acidentes fatais ocorre à noite, mesmo com o trânsito 80% menor comparado com o dia. Já para dirigir nas rodovias a Abramet adverte que são necessárias tomar até 80 decisões por minuto, o que constitui um risco para pessoas na terceira idade.

Para a Abramet, os idosos podem compensar as dificuldades, principalmente de concentração, com a experiência. E como transmiti-la para o volante? Conforme a entidade, reforçando medidas de segurança e cuidados que muitas pessoas acima dos 60 anos, de modo geral, já tomam, como rodar abaixo da velocidade máxima permitida em cada via.

Outra preocupação, comple-menta a associação, deve ser os medicamentos. A entidade aponta que os remédios são responsáveis por 2% a 3% dos acidentes com mortos e que, principalmente os antide-pressivos, são os que mais afetam os idosos.

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Precauções

Aos 73 anos, o bauruense Antonio Maldonado reconhece: já não dirige mais como antigamente. Ele afirma que seu raciocínio e concentração ao volante estão mais lentos, além de estar com mais dificuldades de visão.

Por isso, sempre toma vários cuidados quando vai sair de carro. “Não ando mais à noite, só em caso de necessidade e urgência, nem com tempo chuvoso. Também só encaro estrada de dia, se não for uma viagem muito longa, e jamais excedo a velocidade. Isso é inevitável, pois quem passa dos 60 anos tem de redobrar a atenção ao volante”, considera Maldonado.

Ele conta que, quando mais jovem, já efetuou diversas viagens noturnas e por longos períodos, mas agora evita fazê-las a todo custo. Além disso, como motorista habilitado desde a década de 60, pensa em renovar a carteira apenas mais uma vez. “Depois, é hora de encostar”, brinca. Outro que também já estuda abandonar as atividades de motorista é o aposentado bauruense Orides Zagatto. Do alto de seus 79 anos - mais de 40 deles como condutor habilitado - e apesar de sua carta vencer apenas no ano que vem, ele garante que vai parar de guiar. “Meu prazo como condutor está acabando, pois já dirigi muito na vida e até de caminhão andei. Além disso, a gente percebe que a concentração vai diminuindo”, sustenta.

Entretanto, enquanto ainda permanece na ativa, Zagatto afirma ser precavido. Ele utiliza o automóvel freqüentemente e, a exemplo de Maldonado, não sai à noite nem com chuva e mantém a velocidade sempre abaixo do limite das vias. Estradas? Só de dia. “Costumo sair e voltar mais cedo para viajar. Sempre me programo para isso”, conclui.

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Você sabia que...

• Em 2003, dos cerca de 37 milhões de motoristas brasileiros, mais de 5 milhões tinham carteira de habilitação?

• Ainda em 2003, 13,84% do total de condutores nacionais tinham entre 56 e 99 anos?

• Exatas 1.666 pessoas com mais de 60 anos morreram em acidentes de trânsito em 2002?

• Dos 117.165 acidentes com vítimas em São Paulo no ano passado, os idosos envolveram-se em 6.575 deles, cerca de 5%?

• O Código Nacional de Trânsito exige que motoristas a partir dos 65 anos renovem a carteira de habilitação a cada três anos?

• Várias doenças podem prejudicar a concentração ao volante, como a diabetes e moléstias cardiovasculares e articulares?

Fonte: Departamento Nacional de Trânsito (Denatran)

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Dicas para o pedestre idoso

• Atravesse a rua somente na faixa de pedestre ou em linha reta

• Ao descer do ônibus, espere até que este se afaste e só então inicie a travessia, de preferência longe das curvas

• Permaneça na calçada enquanto espera o melhor momento para atravessar

• Olhe em todas as direções antes de iniciar a travessia e continue atento ao movimento dos veículos até chegar ao outro lado da rua

• Faça tudo para ser visto vestindo-se com cores vivas durante o dia e claras à noite

• Não atravesse driblando os carros em movimento

• Prefira atravessar em grupo

• Cuidado com as saídas de garagens

• Nunca atravesse na frente de ônibus e caminhões

Fonte: Polícia Militar (PM)

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