Bairros

'Esquecidos' sonham com qualificação

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

A dona de casa Tereza de Fátima Martins, 39 anos, vive no Parque Real com o marido e cinco filhos e sua principal esperança é conseguir a inclusão da família em algum programa de transferência de renda do governo federal. “Pobre só sabe esperar e eu estou esperando”, diz, em referência à inscrição que fez para se beneficiar do Bolsa Família.

Sobrevivendo apenas com o salário mínimo (R$ 300,00) ganho pelo marido, empregado em um frigorífico, e com todos os filhos matriculados na escola, a dona de casa não sabe por que ainda não recebeu a tão esperada correspondência da Caixa Econômica Federal (CEF) informando a aceitação de seu pedido feito no meio do ano passado.

Enquanto espera, dona Tereza e os filhos, com idades entre 12 e 19 anos, admitem que não têm condições de procurar emprego devido à baixa qualificação - uma das filhas, de 17 anos, está “atrasada” na escola e cursa ainda a 8.ª série.

Por isso, a perspectiva de implantação de Centro de Referência de Assistência Social (Cras) no Parque Real chegou a animar alguns integrantes. “Nunca fiz, mas se eu tiver tempo, até faço algum curso”, diz a dona de casa, em referência ao acúmulo de afazeres domésticos de uma família tão numerosa.

Já a filha Fabiana Novaes, 17 anos, anima-se com a possibilidade de aprender, por exemplo, bordados. Com algumas experiências como empregada doméstica, Novaes diz estar convicta de que somente com estudo poderá encontrar outra profissão. “Pobre também sonha e o meu é estudar, tirar carta (de motorista) e poder comprar um carro ‘da loja’”, revela, com convicção.

Um cotidiano de dificuldades semelhante vive a também dona de casa Fernanda Cristina Vicente, 31 anos, vizinha de dona Tereza. Mãe de quatro filhos, três deles na escola, Fernanda teve mais sorte e já desfruta de alguns benefícios de transferência de renda há algum tempo - retira cerca de R$ 75,00 por mês com os cartões do Bolsa Família, Bolsa Escola e Auxílio Gás.

A importância desta renda extra é tão grande que a dona de casa só admite matricular o filho Samuel, de 4 anos, “apenas se o benefício exigir”.

Mesmo com o marido empregado, Fernanda garante que o valor recebido do governo “é fundamental” para o sustento da família. Por isso, ela acredita ser “muito importante” a possibilidade de poder fazer cursos garantam alguma qualificação extra. “Se tiver (cursos), quero fazer os de costura, de manicure e de biscuit. Isso poderia garantir um dinheiro extra e a gente precisa fazer alguma coisa”, diz.

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