Regional

Cafeicultores de Garça ainda resistem

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Garça - Durante muitos anos, a cidade de Garça ostentou o título de Capital do Café do Estado de São Paulo, graças à sua enorme produção. Chegou a colher, em média, 2 milhões de sacas por ano. Vários fatores contribuíram para que o município seja conhecido hoje como "Sentinela do Planalto". O cafeicultor Manoel Bertone frisa que, embora a microrregião de Garça tenha perdido o título, continua tendo uma cafeicultura forte. “Ainda produz, em ano de safra alta, 800 mil sacas de café. Já produziu 4 milhões de sacas e a cidade sozinha, dois milhões de sacas.”

Para ele, houve um ‘pool’ de problemas que levou os produtores a desistir. “Houve uma certa exaustão das terras para a atividade. Outras regiões mostram melhor aptidão para o cultivo de café, região do sul de Minas e serrado mineiro apresentam melhores resultados na atualidade. Isso provoca a migração dos cafeicultores.”

Ele acha que na medida que as crises se acentuam, as lavouras vão se exaurindo. “Se torna mais difícil plantar café. A nossa região sofreu muito com o alastramento de nematóide, uma doença de solo que ataca a raiz e diminui a produtividade. Aí, as terras passaram a ser ocupadas pela pecuária.”

O cafeicultor diz que não é só na microrregião de Garça que o café está diminuindo. “A cafeicultura está diminuindo em toda a região. Em Bauru e Duartina, praticamente acabou.”

Segundo ele, ficou a microrregião de Garça que compreende cidades como Garça, Álvaro de Carvalho, Lupércio, Alvinlândia, Ubirajara, Vera Cruz e Ocauçu, no total 13 municípios. “Aqui ainda tem uma população cafeeira muito boa e que ainda tem alta produtividade. Ela se enquadra entre as maiores regiões produtoras do Brasil.”

Enquanto na microrregião de Garça e em Bauru o cultivo cafeeiro diminui, a produção anual brasileira aumenta, explica o cafeicultor. “O Brasil aumentou muito a produção de café. Há 30 anos, o País produzia 28 milhões de sacas/ano. Hoje produz 40 milhões de sacas ao ano. Esta safra vai ser de 33, porque é a baixa. Para a próxima, a previsão é de 44 milhões de sacas. Em 2002, atingiu 49 milhões. A cafeicultura brasileira está crescendo.”

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